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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Metasaudade*



Se saudade é abstrata,
Palavra inexata,
Essa eu desconheço.
Pois a saudade da qual padeço
Tem corpo, tem peso
Tem gosto de sal.
Ora sintagma coeso,
Ora texto de chanchada nacional.
Conjunção dos sentidos, sobrenome
Que a meus predicados consome.
Saudade minha, exclusiva,
E ainda assim, plural.
E a tua saudade imprecisa
Mora em que tempo verbal?
 
 
Imagem retirada daqui.

26 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Genial!!! :D

Eu disse...

Saudade é uma espécie de companheira constante e quando ela se aloja em nós só mesmo a presença para nos acalmar!
Um abraço carinhoso

Unknown disse...

Realmente de abstrata a saudade não tem nada.

RICARDO disse...

"Minha saudade, quando conjugada,
é "transitiva direta", repleta e precisa..."

Que arraso Moni!

Sua saudade transforma o abstrato em concreto, o singular em plural, tem nome e sobrenome...é verbo na primeiríssima conjugação da sensibilidade poética. Talento com sal, com gosto do querer sempre mais...

Bjos!:)

Taciana dos Anjos disse...

minha saudade me consome, me declara. fica estampada no rosto, sentimento sem alívio, que acompanha, não para.

Rs adorei seu poema!

beeeijos

taaci

Barbara C disse...

saudade mora no passado, e no presente...

=D

Klycia Fontenele disse...

Para você escutar e pensar...

http://www.youtube.com/watch?v=27WHNX_kBXU

bj de dodói rs

_ disse...

Olá, Monica.

Lindo texto. Gostei muito do uso dos termos estruturais da língua. Escrevi algo parecido que ainda não entrou no meu blog. Curioso, espírito da época esta reflexão sobre a linguagem? Seja o que for, seu texto é muito bem construído. Parabéns.

Abraços!

Eduardo Trindade disse...

Sensacional, adorei!
Saudade plural, a mais particular. Acima de todos os tempos verbais, com certeza.
Abraços, guria!

Rafaela Figueiredo disse...

minhas saudades são sempre tantas - em número, tamanho, tempo e transitividades...

beijo, sua poeta-lindeza!

NDORETTO disse...

Gosto muito da sua poesia apaixonada, intensa. E mesmo assim, com esses predicados pessoais,você escreve no universal. Aquele lance; a gente lê com a sensação de ter escrito ou vivido. Rio de prazer com seus poemas. Você é forte. Poesia da boa, sabe cumé?

( Arrasou de novo !!! kkkkkkk)


Beijo grande!

NDORETTO disse...

Amei isso!!!!!


Saudade minha, exclusiva,
E ainda assim, plural.
E a tua saudade imprecisa
Mora em que tempo verbal?

adorei!!!!!

Unknown disse...

Muito mais que a rima
Bem mais ali do que me traz
Saudades é coisa que aqui
A gente aprende ou refaz !

Adoroooooooooooooooo !!!!

Beijo Gigante - é muito bom vim ler-te.

Jôsi (Agnus) disse...

Olá, moça! Tenho me encantado com seus textos.
Aproveito para te fazer um convite:
Todas as sextas-feiras (7h às 7:20) temos o Café com Poesia lá no Agnus.
Professores e alunos compartilham seus textos e/ou declamam textos de outros autores. Se puder aparecer, dá uma ligadinha. (8631-9959 / 3491-2746)
Beijos!

Enzo Buendía disse...

encontrei com Melquíades ontem! Está lindo, rejuvenescido, a barba branca maior do que nunca, amarrada com um pequeno cinto de couro na ponta, e uma flores ficam presas.

(uma amiga minha vai me dar de presente hoje "Viver para contar".. coincidências!!!!!!!!!)


bjones!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Acho que as vezes
a saudade
é o nosso
próprio tempo
de existência...

Vida plena em teus dias.

Carol Freitas disse...

Dá pra mim?

=/

Myrela disse...

Coisa linda que tá teu blog Bond's! Havia tempos que não vinha por aqui...
E você se superando na qualidade dos poemas...esse é mais um perfeito!

Eduardo Silveira disse...

gostei muito de ver a saudade tomando forma.
o tempo da saudade é o futuro do pretérito (ou o passado imperfeito?) ;)

bjo!

Renata de Aragão Lopes disse...

"E a tua saudade imprecisa
Mora em que tempo verbal?"

Minha saudade é como a brisa:
mansa e atemporal.


AMEI o poema, Moni!
Digno de releituras...

Um beijo,

ítalo puccini disse...

publicar é teu caminho, coisa mah linda!

fazia tempo que eu não vinha a este espaço. QUE DELÍCIA!

beijão.

Lila Boni disse...

Passando p deicar um beijo !!!

Anônimo disse...

Ô Moni,há de existir uma saudade só, que passeia por todos os tempos verbais?
Acho que a minha é assim. =/

Poesia Cibernetica (Berg) disse...

Nossa! Toda vez q passo aki é esse tiro no peito na poesia mais q bela!!!!

Talita Prates disse...

Lindo, Moni, lindo...

Saudade...
"Saudade é,
em mim,
um verbo (!)
de ligação
no infinit(iv)o."

Mas hoje saudei a saudade que ainda resta e roguei-lhe que me deixasse em paz - ou pelo menos que reste sem doer.

Beijo, querideza-ídola!

Tá.

Kaic disse...

Fantástico!