
Tinha de haver algo. Mandinga, despacho, oração, trabalho, hipnose, mantra, meditação. Ou uma chave, apenas. A chave que abrisse o meu verbo e fechasse esse querer hemorrágico que jorra à toa.
Não é à toa porque é banal. Mas porque é claustrofóbico e eu tenho asas. Porque é retilíneo demais e eu gosto das curvas. Porque se mantém horizontal e eu amo subir.
Remexer o baú do tempo seria em vão. Não conseguiria medir se o estou perdendo ou ganhando porque não sei quanto tenho. Sei apenas quanto quero. O espaço do tempo futuro não é claro e encanta. Dele eu aguardo a surpresa. Só poderia declarar perdido, algum tempo passado, e ainda assim tenho um bom troco.
No chão não há nada. Ou quase. Tenho deixado muito pouco cair. Só há um magnetismo insistente que atrai meus passos de dúvida, ora lentos, querendo sentir cada afago, ora apressados, feito clichê de modernidade, buscando o desatar de cada nó.
Eu sou o nó. E não desato. Escolhi este, o meu ato. E toda essa busca, consciente, teve a também consciente venda nos meus olhos, que justificou cada tropeço e cada saída não vista, ignorada. Escolhi assim. Até decidir clarear. E a porta, bem diante de mim.
Imagem googleada
6 comentários:
"Porque é retilíneo demais e eu gosto das curvas."
Adorei essas metaforas e essa busca q parece n ter fim...atemporal.
Parabens pelo feeling.
É isso aí.
Bjs
e não dá ponto sem nó, hm?
beijo :)
"Não é à toa porque é banal.
Mas porque é claustrofóbico e eu tenho asas."
MARAVILHOSO ISSO!
Apesar de as asas
não atravessarem paredes
de um cômodo trancado à chave,
do qual não mencionou
a existência de nenhuma janela...
Beijo,
doce de lira
" vasculhei por cada um desses cantos que me compõe "...beleza, dor,saudades e busca ... gostei bjs
Parei um pouco pra descansar a cabeça e...não sei como, me peguei lendo seu blog!rs
Você está melhor, a cada vez que te leio...Muito impressionante, essa lapidação escrita que diz o que sente e o que pensa de uma forma tão concisa e tão normal...quase invisível!rs Mas, de tudo, se entende só o que se pretende, nada mais.
É sempre muito bom ler você, ou melhor, é mesmo um deleite! Porque não!
Moni,
Voar pela fresta sustentando-se na lei da gravidade, como o marinheiro navega o barco...
Beijos,
Marcelo.
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