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segunda-feira, 11 de maio de 2009


À espera dos olhos
Que me devorarão a alma.
Da boca
Que me sugará a essência.
Das mãos
Que me farão presa irrestrita.
Da noite
Que bem poderia me negar o amanhã.


Imagem capturada do blog: www.coisasqsei.wordpress.com


domingo, 10 de maio de 2009

Meus versos andam rasos.
Bem mais leves que eu,
Flutuam,
Enquanto mergulho.

O prazer do vôo
Tem sido muito maior que o medo
E a certeza da queda.

Imagem retirada do site: www.overmundo.com.br

quarta-feira, 6 de maio de 2009


Meu desejo tem um nome,
Mas não posso dizer.
Minha saudade tem endereço,
Mas é melhor nem saber.
Minha vontade tem constância,
Mas não devo querer.
O substantivo é urgência,
Mas o verbo é ceder.

Imagem capturada do blog: gentlyshaketheworld.blogspot.com

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O que espanta é o encanto.

As balas ficaram perdidas em algum texto sensacionalista de jornal, ou presas no egoísmo consciente e deliberado de quem não quer repartir o belo, porque nos seus interesses não cabem tantas pátrias.

Miséria? Tem aqui, ali e acolá. Lá também tem.

Tem a guerra diária dos que lutam pra sobreviver, tem as mazelas cotidianas dos que são vítima de um sistema excludente e autoritário, que possibilita Nike pra uns e calos nos pés para outros, que precisa de sangue derramado para regar sua sustentação. Alicerces de medo, terror, que cultivam novos Hitler em suas tropas de elite.

Tem rios de dinheiro que lavam a droga do morro, que desce para as ricas casas de quem se veste do vício de griffes e faz cara feia pra Baixada.

Julgue a importância do baile funk, da gafieira e do balé no Teatro Municipal. Você tem fome de quê?

Mas tem gente, tem muita gente. Gente que se apresenta orgulhoso filho da terra, criatura humilde, a vender um souvenir, dizendo que cuide do relógio, mas não perca tanto tempo, pois está no lugar mais lindo do mundo.

Tem gente ícone. Desce no trem a negra de sorriso largo, uma baiana-carioca-desde-pequena, mostrando para a família do Nordeste as graças da sua cidade, ainda que de céu nublado. Enterrara ontem o marido, mas certa de que nada havia a fazer e de que a vida tinha que continuar, fazia amizades no vagão, encantava a quem se dispusesse a ouvir sua narrativa que mais parecia um tratado de vida. Dela surgia o convite para o retorno no acolhimento de sua casa. Amizade de infância construída nos quinze minutos de trilhos.

Há uma pobreza, mas que não subtrai a criticidade, que sabe apontar o sobrenome global como responsável pela contra-propaganda, pelo uso dirigido aos seus interesses, que escreve nos muros o que quer, frases de efeito, gritos de manifesto, uivos de beleza, palavras de gentileza...

Sobe e desce o morro, que se intitula comunidade. Favela é pejorativo. Entorta o nariz da burguesia. Comunidade orgulha, dá força e alimenta as armas que realmente fazem sentido. O estampido trocado pelo baticum do carnaval, olhos cheios d'água a contemplar o infindo mar, o samba-gentil feito roda no calçadão . E lá em cima, quase sempre de olhos atentos, o Cristo pra abençoar...

O Rio de Janeiro continua lindo...

Imagem - arquivo pessoal.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

Se eu me conformo em fazer
Só o que legalmente posso,
O que permitidamente me é disponível,
Paro.
Não sou quase nada
E meu sangue congela.
É o calor do que decididamente quero
Que me dá movimento
Que me permite a dança,
Causa-me prazer,
Dá sentido à vida
E me garante a página seguinte.

Imagem capturada do blog: www.texere.blogspot.com

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Do abrir do branco riso
Nasce o dia colorido
Feito gérberas minhas,
Buquê da mais bela flor.

Imagem capturada do blog: www.
lindas-flores.blogspot.com

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mas é que aqui,
Bem do meu lado
Há um outro lado
Do espelho,
Da porta,
Da tela,
Do fio.
Lado a lado,
Quase encostado
Suficientemente distante
Pra me dar vontade
De mudar de lado.


Imagem capturada do blog www. textosaesmo.blogspot.com

domingo, 29 de março de 2009


Agenda: imposição.
Relógio: limitação.
Olhar: indiscrição.
Convite: sedução.
Encontro: confirmação.
Desejo: transgressão.
Vontade: explosão.
Intimidade: autorização.
Claridade: frustração.
Amanhã, a continuação.


terça-feira, 24 de março de 2009


Prefiro esse coração frágil

Esse jeito exposto,
Meu ser-vitrine,
De braços abertos
E uma confiança
Que não confere documentação.
Assim me sinto mais perto do céu.

Imagem capturada do blog www.minhavidaempoesia.blog-br.com

quinta-feira, 19 de março de 2009



Abra bem os olhos pra poder escutar
Todas as imagens que eu vou lhe mostrar
Olhe ao seu redor e procure entender
O som de cada cena que você pode ver

Transcenda os graus que turvam a fina estampa
É um panorama de maior dimensão
Lentes que te façam enxergar o clarão
E a miopia que te impede e a mim espanta

É o estigma que te estigmatiza
O que se vê é puramente o que se toca
Represente o teu olhar que me banaliza
E o som que vem de mim teus sentidos provoca

Escute o que vê
Enxergue meu som...
O que você quer perceber
Está gravado em meu tom
.
(Olhe, sinta, ouça...
Pulse, grave, sensibilize-se.
Cante, experimente, faça digestão
Prove, beba, permita descobrir
Torne-se capaz de me traduzir.)

Imagem 1000imagens - Roda Viva - Marco Antonio

terça-feira, 17 de março de 2009


Não prendo nenhuma palavra dentro do dicionário.
Seus significados têm asas
E prefiro assim, eu-ser metafórico,
O que compara onde não há parâmetro...
Se é pra explicar:
Simplesmente conoto.
E acato, eufêmica,
A tua dificuldade em entender
Um quatro travestido de dois-mais-dois.
Faço uso sim,
Até onde posso
Pra me fazer compreender
Daquilo que de imperfeito se faz sinônimo:
Uma falta pleonástica,
Um querer redundante
Que neologiza
Que parafraseia, se preciso.
Mesmo sob o risco do entendimento-antítese,
Oposto do que se desejou.
Recuso-me ao óbvio.
Objetivo demais
Pra quem não tem medo de altura...


Imagem capturada do site www.euniverso.com.br

domingo, 15 de março de 2009

Qual é a cor da sua noite?


Cor-de-ausência,
Escuridão?
Vermelho-desejo,
Ávida de beijo?
Laranja-reencontro
Sorriso, festejo?
Cinza-jornal
Sem qualquer informação?
Rosa-carícia,
Cenário irreal?
Púrpura-glamour
Combinando com seu salto?
Branco-sorriso
Feito quem vê do alto?
Verde-esperança,
Que de olhos fechados dança?
Azul-aquário,
Que ignora o horário?
Amarelo-Gaia,
Desejando o amanhecer na praia?
Qual é a cor da sua noite?


Imagem capturada do blog http://naveterra.blogs.sapo.pt

quinta-feira, 12 de março de 2009



Incrédula diante do meu livro-bíblia
Da mais confiável orientação.
Erro crasso,
Equívoco sem perdão
Ensinaram errado,
Vida em vão,
Reproduzida em nome da ilusão.

Verbo amar: intransitivo
Assim disseram
Assim garantiram
Amar, simplesmente
Amor, feito chama
Quem ama, ama.

Esse amor
Se é verbo ou caminho
É cheio de semáforos
Freadas bruscas,
Desvios e interdições.

Quem ama cuida
Quem ama perdoa
Espera,
Entende,
Renuncia,
Esquece.

Amor virou pretérito
Imperfeito
Irregular demais
Para o meu desejo tão imperativo.

E a gramática, meu livro bom
Bem diante de mim
Espera um destino:
Fogo, tesoura ou gaveta,
Como um terno relicário
De dispensáveis reformas,
Das melhores recordações.


Imagem googleada

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sobre(o)natural.

Estou definitivamente convencida de que fantasmas existem. Existem sim e seu tamanho e poder são diretamente proporcionais à importância que damos a eles.

No primeiro momento, o susto e as naturais seqüelas de quem vê bem diante de si o que já se foi. A palidez no rosto, os infinitos instantes de catatonia, o corpo trêmulo, um respirar sem obter o ar necessário.


E ainda que emanem medo, os fantasmas conseguem aos poucos ir ampliando seu espaço, como se pudessem sobrepujar o tempo e o seu lugar reservado no passado, adquirindo a mobilidade indicativa do presente, o poderio da cotidianidade. E assim, passamos a freqüentar gavetas há muito esquecidas, caixas que pareciam definitivamente fechadas, antigas canções de um repertório já arranhado voltam ao topo da "playlist", fotos amareladas ganham de novo cor, deitamos sob lençóis de um cheiro revigorado. Presença reassumida. Fantasma institucionalizado.


E os fantasmas, nesse estado sem estado definido, se encaixam perfeitamente no vazio do quase. Do que foi quase-vivido, do que foi quase-perfeito. E passa a ser esse o rumo a partir de então: o rumo de uma quase-vida. Quase-é, quase se sente, quase se tem. Só que isso tem cara de quase-morte. A necessidade do que é palpável, do que é sensível é muito maior que o "quase" ora oferecido.


Sorte nossa, pois é nesta fresta que estão as chaves. Bem ali, ao alcance de nossas mãos para que tranquemos de vez os caminhos do ontem, aqueles que já foram trilhados e possamos enfim dar seguimento, mesmo que cambaleantes, com algumas baixas e um tanto sem fôlego. Esse rápido momento de decisão é o que abre espaço para os pecados: do fantasma tomar carne ou de diluirmos nosso desejo pleno nas suas possibilidades limitadas. Ou ainda o pecado de interrompermos o filme antes do grand finale pelo simples fato de seu enredo nos intuir um desfecho conhecido ou muito pouco desejado. Talvez seja melhor dar o destino que queremos aos personagens, nos apoderando da cadeira de diretor-deus, capaz de evitar a decepção da platéia, fazendo valer o que foi pago.


No mais, são só fantasmas. Não são inteiros. E nada pode ser inteiro, porque fantasmas carregam consigo, na bagagem, as mesmas roupas, os mesmos textos. Tropeçam nas mesmas pedras, engasgam nas mesmas sílabas. Sob seus pés, a mesma areia que sujou nosso tapete. Nada adiante. Nada imprevisível. Todas as portas, todos os caminhos precisam que nos viremos para trás para serem vistos. E lá, o sol já se pôs.


Podemos chegar a essa consciência em segundos. Ou em anos. Ou depois de várias vidas. Mas é só de posse dela que poderemos guardá-los na inviolável caixa das boas lembranças, de vidro blindado e chaves perdidas, onde ficarão confortavelmente adormecidos e que podem ser seguramente visitados. Estarão lá, para sempre. Recobertos de uma beleza que os tornará inofensivos e periodicamente presenteados pelos nossos sonhos e sorrisos.


Estou definitivamente convencida de que fantasmas existem. Existem sim e seu tamanho e poder são diretamente proporcionais à importância que damos a eles. Mas se você for o fantasma de alguém, considere apenas o primeiro parágrafo e faça dele um mantra. Do lado de lá, essa história tem outras cores, outros motivos e explicações. E não há ceticismo capaz de imperar.



Imagem capturada do blog: medicinaespiritual.blogspot.com


domingo, 1 de março de 2009

Eu queria mesmo era não ter assunto. Não ter muita coisa a dizer e assim, estar livre para desenhar poeminhas rasos, textos movidos pelo acaso. Falar do som contínuo dessa chuva que cai e que é a música que ouço desde a madrugada. Mas eu vi e vivi a madrugada inteira febril, com a vontade quase necessária de transformar qualquer parte desse todo em palavra, como se isso fosse para mim um remédio, um antitérmico, um antiespasmódico, um antiséptico, um antiofídico, que fosse. Bastava ser “anti”.

Fosse eu mais inteligente, teria feito uso de um anticoncepcional e não estaria aqui a parir palavras em forma de polígonos estranhos que tornam o parto mais doloroso e demorado.

Agora eu preciso é de antídoto. Algo que reverta o efeito, que não faça do dia de amanhã uma necessária e previsível ressaca. Será que aceitam devolução? Uma devolução assim, agendada, que eu possa ficar mais um pouco, mesmo que para isso eu tenha que perder o que já paguei.

É que as prestações – eu não sabia – vão ficando crescentes e é daqui a pouco que me torno um ser inadimplente. Falta pouco para esvaziar o bolso, o coração, o tempo, as possibilidades, as vontades. Em superávit restam-me apenas as idéias, a mente povoada delas, germinando descontroladas, feito pragas de lavoura, mas que não servem de nada. Não pagam, não explicam, não resolvem, não constroem. Ninguém compra, ninguém ouve, ninguém leva a sério, e o que é pior, quase ninguém entende.

Boot. Format. Sem backup, por favor. Quero começar tudo de novo.


Eu não sei o que o meu corpo abriga(...)

Imagem capturada do blog: www. tiagogebrim.blogspot.com

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Alteração de endereço.

Me mudei. Não sei por quanto tempo, não sei se é temporada ou se por lá viverei estações. O certo é que não estou aqui.

Ontem mesmo me procurei. Na sala, no computador e até debaixo da cama. Mas não estava. A mochila estava no armário, sinal de que não tinha levado bagagem, mas no ar pairava um bom perfume, cheiro fresco pós-banho de quem sai de mudança. É, eu fui.

Tô num lugar de não muito fácil acesso, mas também não espero visitas, não. Mas é bem bonito. Fica entre um sorriso doce e um olhar que pede. Há pouco espaço, nem sempre confortável, mas se a decisão for de ficar, abro uma parede aqui, derrubo uma distância ali, um pouco de desejo embutido, pra caber mais... Por enquanto mal me cabe, às vezes nem cabe e a porta não abre. Mas especulo, invisto, o mercado ensinou assim.

O preço? É alto. Às vezes penso que não vou poder pagar e não me resta quase nada.

À noite é um tanto frio, mas eu tenho papel e caneta aqui. E eu projeto os sonhos, desenho lua e sol e vou pregando na parede de onde tirei o velho calendário, criando a agradável confusão de não saber o que é dia nem noite, sem a noção do tempo que poderia me preocupar.
Mantenho uma única vela acesa o tempo inteiro a clarear o caminho. Uma hora eu posso precisar voltar...
Imagem capturada do bloguinhobasico.blogspot.com

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


Deixa que a chuva lave
Deixa que o vento seque
Deixa que o tempo passe...
Se de nós independe,
Solta, pois, as rédeas
Deita sobre meu peito e sonha...
Deixa!
Amanhã eu te devolvo os ponteiros...




Imagem googleada.

sábado, 21 de fevereiro de 2009


Da vaziedade

Da cidade

E do meu coração,

Não tem samba-enredo,

Não tem aconchego,

Não tem você cedo,
Avenida de ilusão.

Aqui e lá
Só se ouve nota em dó

Meu sol é só

Fantasia em vão:

Isso não dá samba, não.


Imagem capturada do blog: www.letgo.blogger.com.br

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pausa para ele:


Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

(É o que me interessa - Lenine)

Imagem - arquivo pessoal/ Show Labiata, Fortaleza, 15 de fevereiro de 2009.