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domingo, 24 de agosto de 2008

...


De olhos atentos,
De ouvidos apurados,
De coração sensível...
Esperando a palavra certa,
Única capaz de ser melhor que o silêncio.
(imagem original retirada do blog happy-stiletto.blogspot.com)

sábado, 7 de junho de 2008

Inferno astral?



Mercúrio entrou em crise.
Estressou,
Deu pânico, deprimiu.
Alagou o cosmos de tanto choro.
Nem a proximidade do sol aquecia.
A lua pulsava mais forte,
Cada emoção triplicava o peso
Ignorando a ausência de gravidade.
Vênus estava de bobs na cabeça e espinhas no rosto.
Quebrou o espelho ao se olhar...
Pobre Marte,
Com a imunidade baixa,
Alternando em febre e calafrios...
Júpiter ficou cético,
Introspectivo,
Duvidando de tudo e de todos,
Se sentindo só e achando tudo minúsculo...
Saturno achando que não daria conta de mais nada nessa vida,
Sem ambição nem do dia de amanhã...
Urano entediado.
Nada de novo pra descobrir,
Nenhuma surpresa pra fazê-lo orbitar com vontade...
Netuno acordou sem motivos pra sonhar,
Desacreditado da arte,
Duvidando de que novas canções pudessem surgir.
Plutão apagou a luz.
Bateu o martelo querendo convencer de que dali não se passaria...

Mas tudo gira,
O tempo todo, tudo gira...

O sol nasce de novo, aquece,
Dá outros motivos,
Outras cores,
Outros tons...

Tudo de volta pro seu eixo.

Defeitos nos seus lugares.
Virtudes também.

Novo ciclo...Tudo novo. De novo.


domingo, 25 de maio de 2008

O melhor de tudo
É que há o hoje para reparar os estragos de ontem
É feito sopro de mãe no machucado
Feito abraço saudoso, apertado.
E tem ainda amanhã
Com cheiro de fruta doce, maçã,
E desse não escapa ninguém.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Olhei atentamente para os meus sinais da boca, sedenta de um beijo que um dia seria roubado, adoçado com mel, e que mais tarde viraria até canção. Lamentei as coisas que essa mesma boca um dia se negou a dizer e que hoje insiste em falar sem ser ouvida.

Foi uma longa viagem, um tempo dentro de mim mesma que embora não tendo procurado outras paisagens, outros caminhos, foi capaz de redescobrir as próprias experiências, alguns valores reais e o mais importante, projetar para os verdadeiros desejos.

Descobri. Senti. O corpo, a cabeça, o coração, falaram juntos, uníssonos e imperativos: Vá à luta. E fui. Sem armadura, sem escudo, mas com o corpo e a alma cobertos de vontade, abstrata, invisível, mas demonstrada, proferida a cada possibilidade.

Mudei trajetos, fiz e refiz planos, encurtei distâncias. Cerquei, criei uma redoma de cuidado, fiz um altar. Enfeitei com flores e canções. Intuí desejos, procurei mágicas capazes de arrancar sorrisos e me dei, sem embrulho nem laço de fita. Me dei nua, crua e inteira, irrestrita.

Mas a festa foi perdendo o sentido à medida que eu percebia que só eu gostava da música, que só a mim ela fazia dançar. Aos poucos, até as luzes apagaram. Fui colecionando flores murchas, declarações não recíprocas, silêncios, nãos, chamadas não atendidas, ausências e verdades que não precisam ser ditas.

Me dei conta de que eu estava só. Que quando pensei que havia acordado, era quando, de fato, eu tinha começado a sonhar. E já disseram que sonho que se sonha só, não passa disso. Entendi os porquês. Eu não podia esperar respostas de um outro lado que não existia. Eu não podia visualizar um futuro leve, quando o peso de um passado fala mais alto, sufoca, turva a visão de tal forma que a nada adiante se pode dar crédito.

Escolha minha. Desde sempre. Forte cobradora e dura pagadora. Mas que paga coisas caras.

Vou vivendo com o troco.

sábado, 17 de maio de 2008

Perigosos.
Passíveis de desconfiança.
Questionáveis.
Assim são as criaturas que se despem dos orgulhos,
Que jogam fora todas as armas

Submetem-se aos testes,
Expõem o corpo para o deleite,
A alma para análise,
Os olhos para julgamento,
O coração para apreciação.
Dedicam-se e procuram quaisquer brechas,
Engolindo a seco cada lágrima,
Esforçando-se contra o tremor
Fazendo da paciência a algoz companheira.
Perigosos demais.
São estes os que com intencionalidade
Querem se fazer eternos.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Das Saudades

Rua 53, número 16. Fui até lá buscar curar uma das saudades que eu sentia hoje. Nada mais contraditório ao que penso, ao que sinto, ao que prego. Não havia mais ninguém lá. Será que eu fui a única a sentir saudades hoje ou simplesmente todas as pessoas passaram a crer naquilo que eu também creio, curando suas faltas, suas dores, de outras infinitas, e talvez até bem mais eficazes formas?

Mas eu precisava ir até lá, mesmo sabendo que não haveria o encontro, o abraço, o beijo, o sorriso, depois de percorrer o longo corredor molhado e cheio de lodo, com árvores tão antigas quanto algumas saudades esquecidas por lá. Cheguei ao endereço sabendo que não adiantaria chamar, bater, porque não haveria ninguém para receber. Era claro pra mim, desde o início que seria uma atitude meramente contemplativa, mas que me remetia à necessidade de alguma energia, algum detalhe, qualquer coisa que me aproximasse... Como se eu não vivesse tão próxima, a cada dia, a cada acordar, a cada adormecer...

Pouco tempo para tantos conflitos. Ali, confrontos entre fé, solidão, dúvidas, medo, lembranças, vida, tempo. Tudo apertado e ferozmente amarrado pelo nó da saudade.

Simulei flores, projetei felicidade, ainda que eu não tivesse qualquer resquício de força pra disfarçar a tristeza nem pra segurar as lágrimas.

Eu queria ali alguma resposta que eu jamais encontrarei ou então que de tanto saber, me recuso a admitir. Quando é o final? Por que acaba para alguns, se em mim, eles jamais se acabarão?

O céu estava cinza, no mesmo tom da última vez. Chovia um pouco. As mesmas lágrimas de chuva que eu percebo cair sempre que alguém se vai... Da última vez havia tanta gente... Hoje mais ninguém. Mas a minha necessidade preenchia aquele todo, tão cheio e imensamente vazio, porque as essências, eu deveria saber, não estão lá.

Há muito não me via tão tomada por saudades. Tantas saudades. E em meio a tantos gatos, as únicas criaturas vivas que povoavam aquele lugar, tive a certeza de que algumas delas são irremediáveis.

Angustia a dúvida sobre o que fazer com as saudades vivas, de distância irrisória e que mesmo assim, não consigo um lugar, mesmo que tão frio, onde eu possa chegar, bater e encontrar.

Percebi que é em vão querer me desfazer das minhas saudades. Algumas, buscar, enquanto houver forças, a forma de encontrar, mesmo que às vezes as portas não se abram. As outras, aquelas que é inútil a busca pelo encontro de fato, definitivamente não vou tirá-las de mim, por mais que doam. Pode ser que um dia a dor se transforme em lembrança, mais simples e mais leve, de forma que eu não precise de qualquer endereço para tê-las presentes em mim.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Profilaxia



Contra dores lancinantes no peito,
Acessos de raiva,
Incômodos estomacais,
Lacrimejação excessiva:

VENDA NOS OLHOS.

Em doses diárias,
Permanentes,
Por tempo indeterminado.

(O que os olhos não vêem... O coração sente, indica, alerta, denuncia, sugere, garante!)

sábado, 26 de abril de 2008

Velho Novo Caminho de Ida.

Veja bem
Minha viagem começou.
Tomei a direção,
Engatei a marcha mais forte
Tomei o maior fôlego
E tenho como próxima parada o horizonte.


Está ali bem perto,
Já posso vê-lo.


Tenho peso no pé,
Acelero fundo
E me abasteço com o vento que me passeia os cabelos.
Fotografo cenas
Paisagens
E coloco as molduras que sonho
Para pendurar logo ali adiante,

Nas paredes mais firmes
De onde nada jamais se perdeu.


Observe a minha velocidade
Perceba pra onde meu olhar aponta
Tenho pressa,
Mas não importa o tempo que vai levar.


Veja, olhe, estude o rumo e queira carona.
Não peça, só acompanhe.
Mas se quiser saltar antes,
Atente:
Eu não quero ter que parar

Nem está nos planos voltar.

sábado, 19 de abril de 2008

O beijo e o seu endereço.

Li, tempos atrás um texto que falava sobre o tal “beijo no coração” e os sentimentos desencadeados pelo recebimento do próprio. Não lembro bem do desenrolar, mas lembro que tinha acordo em achar esquisito esse tal beijo.

Há pouco ganhei um desses. Confesso que não gostei e falei isso ao doador do beijo. Não, não foi rejeição minha, tampouco mal-agradecimento. Na verdade acho que a minha necessidade de beijo não era no coração. Não dá pra sentir o calor dos lábios de quem beija no coração... Vai ver que meu desejo tinha um endereço mais visível e mais fisicamente viável e sensível.

Eu não consigo mandar beijo no coração de ninguém. No da minha mãe, talvez. Acho que o beijo no coração possui um carinho muito específico. Aquele carinho que possui um muro largo e resistente entre a boca que beija e o órgão que recebe. Nesse caso, o beijo me parece ficar na altura do peito, e do peito mesmo, não do seio. Quem dera... Será que é porque dizem que coração dos outros é terra que ninguém anda? Obviamente, se não se anda, muito menos se beija.

Estou certa de que no momento em que me deram “um beijo no coração”, essas palavras vieram acolchoadas de um carinho gigantesco. Mas no fundo, no fundo, ainda que meio inconsciente, a intenção é outra. É como mandar um “beijo no juízo” Já ouviu esse? Eu já. Pra mim não passa de um recado, do tipo “cuide-se, tome juízo!” O beijo no coração também tem seu recado implícito, ainda que pra mim, escancarado. Mandar esse tipo de beijo é pra reconfortar. Algo do tipo: um beijo no coração pra você que tem o seu tão inquieto, agoniado. Esse beijo no coração traz no bolso um elixir de paz, alento. Beijo no coração é quase um ansiolítico!

Só se for pra você. Beijo no coração me deixa nervosa, não me aquieta a alma , não me causa nenhum arrepio, nenhum suspiro, muito menos tira do casulo as borboletas que tanto querem bater asas no estômago...

Nunca vi carinho tão fisiologicamente comentado. Mas é isso mesmo. Quer me tocar o coração? Beije-me a boca, o olho, a orelha, as costas, a barriga, o pé. A distância, eu garanto, é muito menor, e o resultado, garantidamente eficaz.

domingo, 13 de abril de 2008



Céu meio encoberto, uma meia-lua meio que clareia a noite.
Parece estar tudo definitivamente pela metade e a única coisa por inteiro é a minha consciência. É de tamanha amplitude, de tão imensa claridade que nada se justifica por completo. Fica tudo no meio do caminho.

No rádio do carro, as canções não tocam até o fim. Até o refrão, tudo bem, mas dali em diante tudo parece e é repetitivo de tal forma que já não convence mais. Todos os poemas ficam inacabados. As primeiras palavras fluem, mas titubeiam nas vírgulas e findam no primeiro ponto de interrogação.

A razão perdeu-se a duas quadras do desejo.
Os planos adormeceram na metade do upload.
As vontades, ainda que fervam, ficam por aqui, pois não há certezas nem energia suficiente para se lançarem.

Talvez o estado adolescente de incompreensão seja mais propício ao teste, à loucura, ao risco. A lucidez dá a mão ao medo e se converte numa resistência tão sólida que não ousa sequer a ter a visão do precipício. Já não se cogita pular, nem pelo prazer do vôo.
Talvez eu tenha comprado gato por lebre e talvez eu tenha escolhido gato por saber lidar melhor com eles...

Mas de todas as consciências, a que mais perturba é essa certeza equidistante de que no meio, nada fica. As duas pontas do nó final estão em algum lugar esperando ser atadas. Basta que se retome o caminho e chegue até lá.

O problema é que no meu caso, esconderam o acelerador...





sábado, 5 de abril de 2008

...Equalizando...

Todos os versos jogados ao vento,
Nenhuma palavra repousa quieta sobre o papel
Desde que essa porta fora aberta
Nada mais ficou no lugar.

Lutei pela chave,
Briguei para ver o lado de lá
E agora, feito pássaro em gaiola aberta
Coagido pelo medo do inseguro,
Seduzido pelo cheiro da liberdade
Temo o poder e a resistência das próprias asas e
Assisto sem ação
À desordem estabelecida
Como quem decora o lugar
Que não quer mais estar.

Mas é tudo resolvível:
Se as saudades têm endereço certo,
Mando carta pra cessar.
As lágrimas, findam a estação da aridez
E têm agora horas contadas pra estancar.
E restando o chão molhado
Há de brotar a novidade
Coração fértil florindo em rimas
As próximas páginas a escrever.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Não, hoje não...
Quase não há espaço
Dentro da cabeça vazia
E no aperto do peito.
Faltou assunto,
Faltou recurso,
Sobrou solidão.
Não me cabe nenhum samba
Estão todos justos demais.
É a quarta-de-cinzas quem mais rima
Com a cor dos dias.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Nem só de "novo" vive o ano,
Nem só de "novo" se faz a vida...

Há o que é cíclico,
Reincidente,
Repetitivo
Dèja vu insistente...

Há o ontem de roupa nova
Tentando se disfarçar,
As lembranças que se escondem nos bolsos da mochila,
No fundo das gavetas
E permanecem bagagem,
Utilidade inútil, da qual não se dispõe.

Há sempre o mesmo erro que ainda se há de cometer,
Uma palavra no texto que se esqueceu de escrever,
Há sempre uma velha piada que ainda faz rir,
Surge sempre um velho cheiro,
Bem debaixo do nariz
O espelho-mágico,
Porta-dimensional chamada ábum de retratos.

Poemas,
Centenas de dilemas
Os mesmos a decidir...

E que venha o velho ano novo,
Com os seus mesmos trezentos e tantos dias
Pois que mude o seu guarda-roupa
E faça mais coloridos os dias...


...A quem passa por aqui, um 2008 delicioso... de novo!

sábado, 22 de dezembro de 2007

Sob/Sub Controle


O melhor de tudo
É receber os atos de ataque
Com a certeza de que é tudo defesa
E que seus argumentos
São solenemente desarmados
Pelas minhas gargalhadas internas
Que colocam cada palavra no devido lugar.
Não precisa você querer
Para que eu possa entender tudo
Recolher cada farpa de olhar
Entender o ritmo das pernas que não param
Desvendar o significado das palavras não-ditas...
Sim! Eu virei bruxa
E de mim quase nada se esconde
A não ser o que de mim própria isolo
Pra efeito de segurança.
Assim,
Dito minhas teses,
Profiro teorias,
Crio minhas leis
Reinvento minhas condições.
Oriento minhas verdades...
Mantenho-me assim:
De óculos escuros.
Vez por outra o olhar me trai.
Foto: A Brito

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Preferências...




Salgado, ao invés do doce,
Escuro, ao invés do claro,
Serra, ao invés da praia,
Cama, ao invés da rede,
Gato, ao invés de cachorro.

Abraço, ao invés de aperto de mão,
Próximo, ao invés de distante,
Só, ao invés de mal-acompanhada,
Alto, ao invés de baixo,
Baixo, ao invés de guitarra.
Escutar, ao invés de falar,
Música, ao invés de silêncio,
Chico, ao invés de Caetano,
Quintana, ao invés de Coelho.

Dentro, ao invés de esquecido,
Saudade, ao invés de indiferença,
Beijo, ao invés de desejo.

Noite, ao invés do dia,
Pôr-do-sol, ao invés do nascer,
Chegar, ao invés de partir,
Sentir, ao invés de imaginar.

Hoje, ao invés do ontem,
Hoje, apesar de ontem,
Hoje, ainda que haja ontem,
Hoje, bem melhor que ontem.

Quem sabe assim, amanheço.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Tempo de Dançar


Houve um dia
Que era dia
De dançar
E eu dancei
Muito menos que eu podia
E era o dia
E eu não soube aproveitar.

(Prometi pra mim que não ia mais perder os motes que me vinham à mente e que eu sempre achava que ia lembrar depois e logicamente, os perdia. Lembrei dessa foto, que tava guardada em algum lugar e os versos se construíram, em meio a um engarrafamento. Sorte minha, pude rabiscá-los num papel. Fosse numa BR, teriam se perdido a 100 por hora...rsrs)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007




Fiquei tão pequena que não caibo mais em lugar nenhum.
Grão num mundo inteiro, apertado
Aquadradado
Cheio de ângulos, onde não encaixam
As curvas do meu eterno vai e vem...

Não caibo na noite pequena,
Algoz do meu sono pesado.
Minha casa grande
É mundo demais e espaço de menos
Pro meu desejo individual
Para a minha necessidade livre que me escapa entrelinhas
Entreolhos
Entreditos...

As idéias se chocam, esbarram
Na falta de lugar da minha cabeça.
Não cabem tantas vontades nas minhas gavetas
A palavra pequena não abrange o significado maior
E cala.
E os sonhos de hoje, feito carbono,
Preparam apenas a página seguinte.

Fui compactada
Apertada, pressionada:
Entende daqui,
Cede dali,
Concede de lá
Adapta mais adiante.

Tão minúscula fiquei
Que o universo não me comporta mais.