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sábado, 24 de novembro de 2012

A (pouca) fé no samba do loiro





O loiro diz que é bom de samba
Tem papo de bamba
É de duvidar
Faz carinho em pele de tamborim
Recorre a Chico, Adoniran, Jobim
Achando que apenas assim
Já lhe faria acreditar.

Mas a morena toda desconfiada
Quer bem além da batucada pra se convencer
Quer ver o loiro até de madrugada,
De camisa listrada,
Sandália castigada,
De tanto remexer.

E o loiro insiste que é bom no gingado
Que já está respaldado
No ziriguidum
Mas como crer no seu samba falado
Se não tá registrado
Em retrato nenhum?

E a morena ainda tão insistente
É criatura descrente
Quer ver o bamba sambar
Diz que ele tem que dançar aqui perto
E logo o loiro esperto
Vem se desculpar
Diz que seu samba é na outra ponta do mapa
E pensa que escapa
Que vai lhe enganar.

Ela lhe diz com todo seu carinho:
- Vamos pro meio do caminho
É hora de provar
Vamos dançar o samba verdadeiro
Ajuste os pés com o pandeiro
E eu vou acreditar
Vamos sambar no Rio de Janeiro
Me prove que é verdadeiro
O teu papo de sambar.

* poema sambado, pra o poeta diz-que-samba, Ítalo Puccini.



Imagem daqui.

8 comentários:

Carol Freitas disse...

Acho tua poesia uma coisa de doido!
Isso ficou demais! É samba, é música! É carioca! =)

Bela, disse...

Isso dava música, hein!

RICARDO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RICARDO disse...

Moni
bamba das letras, faz poesia virar samba com sotaque do meu Rio de Janeiro. Muito bom!!! Pandeirando aplausos daqui.

Dan RibLey disse...

Fantástica poesia. Irreverente, interessante, clássica e contemporânea. Paradoxal e bela.
Parabéns, sempre nos surpreendendo positivamente, positiva mente.

Jeferson Cardoso disse...

Foi possível ouvir (sentir) o batuque [sorrio]. Muito bom! Moni, a propósito, por acaso, quer ver onde a coisa está russa?>>> O http://jefhcardoso.blogspot.com anseia por um comentário de sua parte. Abraço!

Fabrício Santiago disse...

Saudade desse cantinho, mas o bom filho a casa torna..rs
Delicado seu texto!
Aproveito pra avisar que acabo atualizar a acanhada Narroterapia com o segundo capitulo do conto Sempre Haverá Pássaros, e quero muito seus comentários.
abraços
Fabrício

Fabio Rocha disse...

Sambando e rodando...