"Que papel faz um sorriso entre o aqui e o paraíso?" (Alice Ruiz)
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
"Que papel faz um sorriso entre o aqui e o paraíso?" (Alice Ruiz)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que por não ser mais criança
Não podia ter caído nessa brincadeira
Nesse jogo de mau gosto
De te fantasiar de ser o oposto
Da mesmice corriqueira.
Hoje guardo de herança
A solitária idealização
Dos milhares de euteamos repetidos em vão,
No meu pé, o teu beijo
Dessa máscara de desejo,
Desejo de um só endereço,
Menor, bem menor que mereço
Muito menos que eu tinha pra dar.
Vai querer me negar?
Quer dizer que um dia chegou a me amar?
Que num estalar se transforma o amor em erro
E fazes dele o enterro
Sem sequer me convidar?
Faz um favor:
Recolhe cada uma das cenas de teatro mal-feito
Engole cada um dos versos baratos
Apaga aquelas letras escritas sem pudor.
Todos os atos
Registrados de um jeito
Que cicatrizaram embaixo do cobertor.
Não sei de onde veio essa autoridade
De usar da inverdade
Pra despertar a boba menina
Se fazendo de bom rapaz.
Não, não fala mais!
Nem canta no meu ouvido em nenhum idioma
Recompõe, ou melhor, desafina
Pra que eu não consiga traduzir
E possa, enfim, dividir
O que todo esse tempo foi soma.
Aproveita e me livra da cela
Eu não caibo em abertura de novela
E esquece Cazuza e Bebel
Pois não precisas dizer mais nada
Fica assim, onde estás
No lugar de onde nunca saiu
No teu posto, de onde nunca permitiu
A minha oferta de céu,
Minha porta escancarada.
Devolve o meu cheiro, viu?
E vê se leva o teu que esqueceste aqui
É que eu preciso dormir.
Esquece meu rosto,
Meus olhos,
Meus sinais.
Deixa-me livrar do teu gosto
Dos teus olhos,
E de tudo mais.
Enfrento cada meia-noite
Como se a última fosse
São madrugadas de açoite, de rio a correr
É claro que eu sei perder!
Mas é que o sabor doce
Esse, que vinha de um ser
– que hoje eu sei -
Não era você
Ainda faz lembrar feito canção
A tela que eu desejei
O amor que nela pintei
Desperdiçado, largado no chão
Em completo desprezo, desdém
Por alguém que eu criei,
Que nunca existiu, mais ninguém.
A propósito, a saber,
Desprazer em (re)conhecer.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
...Aqui faz um silêncio ensurdecedor.
E a luz é fraca, vez por outra, a cada trago do cigarro...
"Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria..."
segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não nasci pro estático
Nem pro estatístico.
Eu não paro
Nem me dou conta.
Conta outra!
***
Ouvir Fátima Guedes, aqui, tornou-se indivisível:
(...)Flor de sentimento
Amadurecendo aos poucos a minha partida
Quando a flor abrir inteira
Muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu
E lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
Agora esse mundo é meu.
Imagem capturada do blog www.pracortarovento.blogspot.com
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Faltou entender...

Que amor tem vida
Alma e outros órgãos também.
Que se cultiva a ferida
Conjuga tanto o verbo doer
Fica fadado ao fracasso
Impossível olhar além.
Amor sente saudade
Chora ao ver o dia amanhecer
Reconhece na claridade
A hora de adormecer.
Amor, quando frágil, morre
Galho da flor que não vem
Futuro, pelos dedos escorre
Vira verso ou lembrança,
Amém.
Imagem capturada do blog: http://uketag795.blogspot.com/
sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um passo à frente
E tantas milhas atrás
Pode ser, de repente,
Me alimenta esse gosto de cais
Esse estado,
Ancorado
E atento
A esperar outro vento
Outra aventura, o momento
Do retorno ao mar
De águas claras, o alento.
Metades, só para compor o par
E em braços calmos
Inteiramente amar.
Imagem capturada do blog: www.blogsparceiros.ning.com
domingo, 4 de outubro de 2009
Eu que sempre quis voar
Rogo por gravidade .
Erro grave,
Previsto,
Mas agora é tarde
Grito do alto:
Desisto!
Imagem: arquivo pessoal.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Entrelinhas
Sabe aquele não?
Eu escrevi com lápis-de-olho
Preto, forte
Pra marcar o olhar
E a hora de te esperar
Aquela minha recusa
Aquele jeito de dizer,
Era pra que não me desses tempo
Pra eu tentar me proteger
Era maquiagem
Era eu, dublê de mim.
Sabe aquele não?
Era o modo disfarçado, envergonhado
De dizer apenas sim.
(tarde perceber, enfim...)
Imagem - cena do filme "Nome Próprio"
domingo, 20 de setembro de 2009

É a vontade que dá a garantia de que não é queda e sim salto, e por isso mesmo, pode ser para o alto. É a mesma que afirma com propriedade que o chão, seja ele firme ou não, depende muito mais da forma como teus pés escolhem tocá-lo.
Ela - a vontade- substantivo apenas, palavra proferida, não tem nem dá movimento, vazia de vida, desconhece exclamações. Sequer ecoa no vento, porque desconhece a direção. Não vibra, não reverbera. Não escreve história. É truque fonético de mau gosto, ludíbrio que desrespeita a própria língua. É seca no peito.
Vontade, de verdade, é arbitrária. Entende no não o chamado à desobediência. É o convite ao atrevimento que se espera, porque sabe, se é vontade de coração, que há do outro lado o abraço que aguarda a surpresa. Tem certeza.
Vontade tem barulho de motor de carro, de toque de celular na madrugada, de campainha na porta da frente. Tem gosto de beijo sem fim, de intimidade ofertada. Cheiro de perfumes que combinam, de corpos que se dominam.
Que haja, pois, o risco. E a vontade desenhando o traço. Ou tudo acabando em ponto.
Imagem capturada em www.kboing.com.br
quinta-feira, 3 de setembro de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009
A Minha Budapeste.
Pouco pôde ser feito além da contemplação. Os pensamentos que povoavam a mente e que nela mal cabiam, se apoderando do corpo, sequer cediam espaço à grandeza exposta até o esgotar do horizonte. O verde do mar remetia à lembrança a cor dos lençóis, da cortina do quarto. O azul límpido do céu, bem poderia ser o tom do sono profundo e exausto. E até o amarelo do sol, mais que ouro, poderia ser dos sorrisos desconsertados que escapoliam nos encontros inusitados. Eu estava lá, mas não estava.
Na última fila, eu e todas as lembranças. O melhor lugar para ver tudo, o mais seguro, para saber de cada canto, para reprovar, para rever, para revisitar – e o que é melhor – de tal maneira imperceptível, que poderia sair a qualquer momento sem causar nenhum estrondo. De lá eu veria a primeira fila a chorar, o meio em sua inquietude de não saber o que é melhor e me sentir numa posição de pseudo-controle.
Após o apagar das luzes tratamos – eu e as lembranças – de decodificar cada cena como um ato já conhecido, um cenário íntimo, uma familiaridade que por ora ou outra nos fazia trocar de papel com o desejo tão mal acomodado lá na frente, mas ainda assim sedutor, por sua condição de ver mais de perto, ainda que próxima, também, esteja a dor.
Não faltaram encontros, similaridades. Se não os fossem de forma direta, eu construía as analogias, ainda que absurdas, mas que me cabiam perfeitas. A descoberta com o que move: aquilo que resgata do marasmo acomodado de um cotidiano deliberadamente falido e traz de volta a pulsação. Coisas, gentes, um idioma que dá um sopro numa vida que já era um saco vazio. Descobertas do que já foi um dia conhecido, mas por algum motivo se perdeu, virou estranho. Bem podia ser eu. Havia uma identidade naquela sensação, num outro tempo, num outro lugar, mas era bem assim. Foi bem assim.
Idéias que por outros olhos, até beiravam a loucura. A necessidade de registrar os sentimentos que explodiam em si, naquilo que apaixonava. Paixão pelas descobertas. Esculpí-las na descoberta do amor. Eleger o corpo desejado como páginas da história que queria viver. Também podia ser eu. Não. Ali, bem ali, era eu, quando o amor não coube mais em nenhuma folha de papel e seria em vão ali escrevê-lo. Ousei, e a palavra, ainda que nervosa e tremida, se eternizou em poema:

Mas de tal forma meu
A não caber no papel.
Faço-te tela
Repouso da minha mão
Corpo teu,
Canção minha,
Inspiração.
Uma fala me chamou atenção: diz-se do húngaro, dada a sua obscuridade, ser o único idioma que o diabo respeita. No meu franco português, sinto-me insultada. Quem sabe se eu aprendesse a negar em húngaro, a saudade – hoje o meu diabo ao lado – viesse a me respeitar.
- Én nem akarok többet!
É encantador. É Chico. Mas é ficção. Luzes acesas, as outras poltronas definitivamente desocupadas. Acho que só eu acreditei até o final. E o caminho de volta foi revolvendo nas línguas mais diabólicas cada uma das cenas que deveriam ser cortadas para que o filme pudesse se eternizar.
Em vão. “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”¹. Mais tarde, com a lua resistente, ainda cheia, percebi que o diabo, debochado, não levou fé no meu húngaro forçado, confundiu com algum dialeto, ou não me percebeu, por erros cometidos pelas gírias vacilantes do meu coração, e assim, de acinte, desconstruiu o meu plano perfeito, desmontou meu exército como num estalar de dedos, num abrir de riso, no conforto de um abraço, no calor de um lençol.
Minha exposição não tem idioma. Meu consentimento não está no dicionário. Meu querer não cabe em telas, em livros ou madrugadas. Meu viver é mar.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
...eu, em silêncio...
Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez.
Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas.
Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não.
Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde.
Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
Não era amor. Era melhor.
"Retrato" de Mercedes, em Divã, de Martha Medeiros.
segunda-feira, 20 de julho de 2009

É a ordem:
Recompor os excessos,
Vestir o traje das faltas.
Tudo medido, controlado,
Ver o ritmo retomado.
Sabe o que é perder a classe?
É deixar de ser sujeito
E vir compor o predicado.
Imagem capturada do blog www.delasnievedaspet.blog.uol.com.br
terça-feira, 14 de julho de 2009
Vasculhei por cada um desses mais de quatro cantos que me compõem. Não havia muita certeza na busca, o objetivo era turvo, embora pulsasse. Mas saí negando flores e sorrisos e procurando muito mais por um sinônimo. Algo que significasse saída, desfecho ou solução, nada tão silencioso, mas que não ousasse proferir a palavra 'final'. Não precisava ir tão longe. Não era queima de arquivo. No máximo o direito meu de ouvir sussurrada em falsete a possibilidade.Tinha de haver algo. Mandinga, despacho, oração, trabalho, hipnose, mantra, meditação. Ou uma chave, apenas. A chave que abrisse o meu verbo e fechasse esse querer hemorrágico que jorra à toa.
Não é à toa porque é banal. Mas porque é claustrofóbico e eu tenho asas. Porque é retilíneo demais e eu gosto das curvas. Porque se mantém horizontal e eu amo subir.
Remexer o baú do tempo seria em vão. Não conseguiria medir se o estou perdendo ou ganhando porque não sei quanto tenho. Sei apenas quanto quero. O espaço do tempo futuro não é claro e encanta. Dele eu aguardo a surpresa. Só poderia declarar perdido, algum tempo passado, e ainda assim tenho um bom troco.
No chão não há nada. Ou quase. Tenho deixado muito pouco cair. Só há um magnetismo insistente que atrai meus passos de dúvida, ora lentos, querendo sentir cada afago, ora apressados, feito clichê de modernidade, buscando o desatar de cada nó.
Eu sou o nó. E não desato. Escolhi este, o meu ato. E toda essa busca, consciente, teve a também consciente venda nos meus olhos, que justificou cada tropeço e cada saída não vista, ignorada. Escolhi assim. Até decidir clarear. E a porta, bem diante de mim.
domingo, 5 de julho de 2009
E há um medo de escrever o verso certoA palavra mais exata
Um quase-cálculo.
Aquela, feito lei
Até então driblada.
Chave das portas
A resposta das perguntas
Deliberadamente silenciada.
Dedo infalível a apontar o norte.
Daí em diante não será mais verso
Muito menos poema.
Será inevitável:
Receita, conduta,
Será a estrada.
Saltará do papel e ganhará voz.
Único refrão, sem melodia
Claro, curto e definitivo.
Mas que restará o sonho
De texto leve e intocável
De tempo intangível
E que jamais caberá
Na imensidão do esquecimento.
Imagem capturada em www.spaces.live.com
sábado, 27 de junho de 2009

Ar, minha leveza, o movimento
A adaptação a quase tudo:
Aceites, acordos e concessões.
A calma, a espera,
As conciliações.
Mas há vontade, ascendente,
Que ora toma o poder e impera.
Do seu trono diz não a tudo que é morno
E ordena a ebulição.
Não.
Ao que é pequeno
Ao pouco
Ao parco
Ao escasso
Ao que se reduz e limita
Me obriga a gotejar
Aquilo que em mim é mar.
Que chamem de instinto ou impulso!
Mas eu o sinto em essência:
Tenho por natureza
Coisa exagerada e maior
Que desparafusa ponteiros
Estilhaça calendários
Acha o muito bem pouco.
E o pouco-bom
Que abre sorrisos demais
Também abre a fome de mais.
Não me nutre
Não me acalma
Não me sacia.
O desejo é raso
Do que me é raro.
Eu quero o excesso.
sexta-feira, 12 de junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009
Já não me preocupo se algumas cores eu deixar cair no chão. Ficaram pra trás. E o tempo ensinou a misturar as que tenho e fazer novidades, ganhar espanto, surpresa. O passado ganhou moldura e enfeita. Não assusta mais.Os detalhes das conchas encontradas na praia encantam os olhos no presente, mas não precisam ser guardadas, não precisam ser peso. Obrigada por terem se mostrado, mas podem ficar por lá pra fazer sorrir outros olhos ou mesmo seguir com quem tem uma bagagem mais leve. Na minha, desculpe, não cabe mais.
Não é que eu não desafine. Às vezes opto por sorrir em falsete porque descobri que essa claridade me faz perceber que tem mais portas abertas. Subo no palco e atuo, se preciso for, pra dizer a mim mesma que está tudo bem.
- Diga 33!
Fui aprovada. A estrada é longa. Posso seguir. Tirando o fato de ser só isso e eu querer muito mais, está quase tudo na mais santa paz.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Meu mundo que você não vê...
“Você me pergunta qual é a minha dor e isso me paralisa. Não sou cleptomaníaca, viciada em drogas ou autodestrutiva, não tenho pânico noturno nem diurno, não ando nem mesmo triste. Mas a angústia existencial, se não é uma coisa triste, tampouco é libertadora.” Não sei pra que quero saber mais de mim. É tanto que já sufoca, já ocupa o minguado tempo com tantos outros mundos que tenho pra desvendar. Qualquer tentativa adiante sugere mudança de endereço, de preferência pra bem longe. É um tal de “pára tudo que eu quero descer”, uma quase-certeza de que tá tudo errado, que não é bem esse o caminho.
Às vezes acho que peguei um script que não era meu e ando representando tão bem, que me confundo com a personagem – criatura que não gosto muito, mas faz sucesso. Não quero o sucesso, não quero os aplausos, porque não é isso que eu sou. Me bastaria o olhar desatento pelo tudo que eu não sou, isso sim, seria significante. Despercebida, anônima e livre das cobranças.
Ando longe de saber o certo, de caminhar reto. Tenho procurado um lugar calmo pra armar minha barraca por uns tempos. Um lugar desconhecido, tanto quanto eu. Algo assim, pra começar do um, já que não acredito no zero. Mas isso também depende de escolhas e decisões e não me julgo capaz de tamanhas proezas nesse instante.
Não há auto-punições, auto-julgamentos, auto-nada. Não preciso dessas incursões, porque há muito já fiz e os tempos são outros. “Crescer não me emparedou, ao contrário, me abriu as portas de casa, o portão do colégio, ganhei a chave da rua e a tutela da minha existência”. Reflito, é certo, entro em desacordo comigo e abro o debate. Decido e refaço. Mas não passo muito tempo por lá, apenas o necessário. "Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei."
O que reclamo é do que está por vir. Do que faço nesse exato instante e que resultará no que será do próximo. Dos sinais claros, para os quais insisto em fechar os olhos e vou levando, ignorando a razão, por saltar aos olhos pedaços de felicidade, tenros, frescos, mas nunca inteiros. E só disso, já sinto saudade. Desculpe. Acabo de errar de novo.
* Os trechos grifados são do livro "Divã", de Martha Medeiros, que renderam importantes reflexões. São muitas as Mercedes em cada um@ de nós...
domingo, 17 de maio de 2009
Há noites que não terminam.segunda-feira, 11 de maio de 2009

À espera dos olhos
Que me devorarão a alma.
Da boca
Que me sugará a essência.
Das mãos
Que me farão presa irrestrita.
Da noite
Que bem poderia me negar o amanhã.
Imagem capturada do blog: www.coisasqsei.wordpress.com
domingo, 10 de maio de 2009
Meus versos andam rasos.Bem mais leves que eu,
Flutuam,
Enquanto mergulho.
O prazer do vôo
Tem sido muito maior que o medo
E a certeza da queda.
quarta-feira, 6 de maio de 2009

Meu desejo tem um nome,
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O que espanta é o encanto.As balas ficaram perdidas em algum texto sensacionalista de jornal, ou presas no egoísmo consciente e deliberado de quem não quer repartir o belo, porque nos seus interesses não cabem tantas pátrias.
Miséria? Tem aqui, ali e acolá. Lá também tem.
Tem a guerra diária dos que lutam pra sobreviver, tem as mazelas cotidianas dos que são vítima de um sistema excludente e autoritário, que possibilita Nike pra uns e calos nos pés para outros, que precisa de sangue derramado para regar sua sustentação. Alicerces de medo, terror, que cultivam novos Hitler em suas tropas de elite.
Tem rios de dinheiro que lavam a droga do morro, que desce para as ricas casas de quem se veste do vício de griffes e faz cara feia pra Baixada.
Julgue a importância do baile funk, da gafieira e do balé no Teatro Municipal. Você tem fome de quê?
Mas tem gente, tem muita gente. Gente que se apresenta orgulhoso filho da terra, criatura humilde, a vender um souvenir, dizendo que cuide do relógio, mas não perca tanto tempo, pois está no lugar mais lindo do mundo.
Há uma pobreza, mas que não subtrai a criticidade, que sabe apontar o sobrenome global como responsável pela contra-propaganda, pelo uso dirigido aos seus interesses, que escreve nos muros o que quer, frases de efeito, gritos de manifesto, uivos de beleza, palavras de gentileza...
Sobe e desce o morro, que se intitula comunidade. Favela é pejorativo. Entorta o nariz da burguesia. Comunidade orgulha, dá força e alimenta as armas que realmente fazem sentido. O estampido trocado pelo baticum do carnaval, olhos cheios d'água a contemplar o infindo mar, o samba-gentil feito roda no calçadão . E lá em cima, quase sempre de olhos atentos, o Cristo pra abençoar...
O Rio de Janeiro continua lindo...
Imagem - arquivo pessoal.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Se eu me conformo em fazer quarta-feira, 8 de abril de 2009
Imagem capturada do blog: www. lindas-flores.blogspot.com
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Mas é que aqui, Imagem capturada do blog www. textosaesmo.blogspot.com
domingo, 29 de março de 2009
Agenda: imposição.
Relógio: limitação.
Olhar: indiscrição.
Convite: sedução.
Encontro: confirmação.
Desejo: transgressão.
Vontade: explosão.
Intimidade: autorização.
Claridade: frustração.
Amanhã, a continuação.
terça-feira, 24 de março de 2009

Prefiro esse coração frágil
Esse jeito exposto,
Meu ser-vitrine,
De braços abertos
E uma confiança
Que não confere documentação.
Assim me sinto mais perto do céu.
Imagem capturada do blog www.minhavidaempoesia.blog-br.com
quinta-feira, 19 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009

domingo, 15 de março de 2009
Cor-de-ausência,
Escuridão?
Vermelho-desejo,
Ávida de beijo?
Laranja-reencontro
Sorriso, festejo?
Cinza-jornal
Sem qualquer informação?
Rosa-carícia,
Cenário irreal?
Púrpura-glamour
Combinando com seu salto?
Branco-sorriso
Feito quem vê do alto?
Verde-esperança,
Que de olhos fechados dança?
Azul-aquário,
Que ignora o horário?
Amarelo-Gaia,
Desejando o amanhecer na praia?
quinta-feira, 12 de março de 2009

Incrédula diante do meu livro-bíblia
Da mais confiável orientação.
Erro crasso,
Equívoco sem perdão
Ensinaram errado,
Vida em vão,
Reproduzida em nome da ilusão.
Verbo amar: intransitivo
Assim disseram
Assim garantiram
Amar, simplesmente
Amor, feito chama
Quem ama, ama.
Esse amor
Se é verbo ou caminho
É cheio de semáforos
Freadas bruscas,
Desvios e interdições.
Quem ama cuida
Quem ama perdoa
Espera,
Entende,
Renuncia,
Esquece.
Amor virou pretérito
Imperfeito
Irregular demais
Para o meu desejo tão imperativo.
E a gramática, meu livro bom
Bem diante de mim
Espera um destino:
Fogo, tesoura ou gaveta,
Como um terno relicário
De dispensáveis reformas,
Das melhores recordações.
Imagem googleada
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sobre(o)natural.

No primeiro momento, o susto e as naturais seqüelas de quem vê bem diante de si o que já se foi. A palidez no rosto, os infinitos instantes de catatonia, o corpo trêmulo, um respirar sem obter o ar necessário.
E ainda que emanem medo, os fantasmas conseguem aos poucos ir ampliando seu espaço, como se pudessem sobrepujar o tempo e o seu lugar reservado no passado, adquirindo a mobilidade indicativa do presente, o poderio da cotidianidade. E assim, passamos a freqüentar gavetas há muito esquecidas, caixas que pareciam definitivamente fechadas, antigas canções de um repertório já arranhado voltam ao topo da "playlist", fotos amareladas ganham de novo cor, deitamos sob lençóis de um cheiro revigorado. Presença reassumida. Fantasma institucionalizado.
E os fantasmas, nesse estado sem estado definido, se encaixam perfeitamente no vazio do quase. Do que foi quase-vivido, do que foi quase-perfeito. E passa a ser esse o rumo a partir de então: o rumo de uma quase-vida. Quase-é, quase se sente, quase se tem. Só que isso tem cara de quase-morte. A necessidade do que é palpável, do que é sensível é muito maior que o "quase" ora oferecido.
Sorte nossa, pois é nesta fresta que estão as chaves. Bem ali, ao alcance de nossas mãos para que tranquemos de vez os caminhos do ontem, aqueles que já foram trilhados e possamos enfim dar seguimento, mesmo que cambaleantes, com algumas baixas e um tanto sem fôlego. Esse rápido momento de decisão é o que abre espaço para os pecados: do fantasma tomar carne ou de diluirmos nosso desejo pleno nas suas possibilidades limitadas. Ou ainda o pecado de interrompermos o filme antes do grand finale pelo simples fato de seu enredo nos intuir um desfecho conhecido ou muito pouco desejado. Talvez seja melhor dar o destino que queremos aos personagens, nos apoderando da cadeira de diretor-deus, capaz de evitar a decepção da platéia, fazendo valer o que foi pago.
No mais, são só fantasmas. Não são inteiros. E nada pode ser inteiro, porque fantasmas carregam consigo, na bagagem, as mesmas roupas, os mesmos textos. Tropeçam nas mesmas pedras, engasgam nas mesmas sílabas. Sob seus pés, a mesma areia que sujou nosso tapete. Nada adiante. Nada imprevisível. Todas as portas, todos os caminhos precisam que nos viremos para trás para serem vistos. E lá, o sol já se pôs.
Podemos chegar a essa consciência
Estou definitivamente convencida de que fantasmas existem. Existem sim e seu tamanho e poder são diretamente proporcionais à importância que damos a eles. Mas se você for o fantasma de alguém, considere apenas o primeiro parágrafo e faça dele um mantra. Do lado de lá, essa história tem outras cores, outros motivos e explicações. E não há ceticismo capaz de imperar.
Imagem capturada do blog: medicinaespiritual.blogspot.com
domingo, 1 de março de 2009
Eu queria mesmo era não ter assunto. Não ter muita coisa a dizer e assim, estar livre para desenhar poeminhas rasos, textos movidos pelo acaso. Falar do som contínuo dessa chuva que cai e que é a música que ouço desde a madrugada. Mas eu vi e vivi a madrugada inteira febril, com a vontade quase necessária de transformar qualquer parte desse todo em palavra, como se isso fosse para mim um remédio, um antitérmico, um antiespasmódico, um antiséptico, um antiofídico, que fosse. Bastava ser “anti”. Fosse eu mais inteligente, teria feito uso de um anticoncepcional e não estaria aqui a parir palavras em forma de polígonos estranhos que tornam o parto mais doloroso e demorado.
Agora eu preciso é de antídoto. Algo que reverta o efeito, que não faça do dia de amanhã uma necessária e previsível ressaca. Será que aceitam devolução? Uma devolução assim, agendada, que eu possa ficar mais um pouco, mesmo que para isso eu tenha que perder o que já paguei.
É que as prestações – eu não sabia – vão ficando crescentes e é daqui a pouco que me torno um ser inadimplente. Falta pouco para esvaziar o bolso, o coração, o tempo, as possibilidades, as vontades. Em superávit restam-me apenas as idéias, a mente povoada delas, germinando descontroladas, feito pragas de lavoura, mas que não servem de nada. Não pagam, não explicam, não resolvem, não constroem. Ninguém compra, ninguém ouve, ninguém leva a sério, e o que é pior, quase ninguém entende.
Boot. Format. Sem backup, por favor. Quero começar tudo de novo.
Eu não sei o que o meu corpo abriga(...)
Imagem capturada do blog: www. tiagogebrim.blogspot.com
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Alteração de endereço.
Me mudei. Não sei por quanto tempo, não sei se é temporada ou se por lá viverei estações. O certo é que não estou aqui. Ontem mesmo me procurei. Na sala, no computador e até debaixo da cama. Mas não estava. A mochila estava no armário, sinal de que não tinha levado bagagem, mas no ar pairava um bom perfume, cheiro fresco pós-banho de quem sai de mudança. É, eu fui.
Tô num lugar de não muito fácil acesso, mas também não espero visitas, não. Mas é bem bonito. Fica entre um sorriso doce e um olhar que pede. Há pouco espaço, nem sempre confortável, mas se a decisão for de ficar, abro uma parede aqui, derrubo uma distância ali, um pouco de desejo embutido, pra caber mais... Por enquanto mal me cabe, às vezes nem cabe e a porta não abre. Mas especulo, invisto, o mercado ensinou assim.
O preço? É alto. Às vezes penso que não vou poder pagar e não me resta quase nada.
À noite é um tanto frio, mas eu tenho papel e caneta aqui. E eu projeto os sonhos, desenho lua e sol e vou pregando na parede de onde tirei o velho calendário, criando a agradável confusão de não saber o que é dia nem noite, sem a noção do tempo que poderia me preocupar.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Deixa que a chuva lave
Deixa que o vento seque
Deixa que o tempo passe...
Se de nós independe,
Solta, pois, as rédeas
Deita sobre meu peito e sonha...
Deixa!
Amanhã eu te devolvo os ponteiros...
Imagem googleada.
sábado, 21 de fevereiro de 2009

Da vaziedade
Da cidade
E do meu coração,
Não tem samba-enredo,
Não tem aconchego,
Não tem você cedo,
Avenida de ilusão.
Aqui e lá
Só se ouve nota em dó
Meu sol é só
Fantasia em vão:
Isso não dá samba, não.
Imagem capturada do blog: www.letgo.blogger.com.br
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Pausa para ele:
(É o que me interessa - Lenine)
Imagem - arquivo pessoal/ Show Labiata, Fortaleza, 15 de fevereiro de 2009.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
E quase aos 33, um passado próximo...domingo, 8 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Contraplano
Imagem googleada
domingo, 1 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
E essa falta? terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Não sei de onde tirei a idéia de conjugar esse tal verbo adolescer. É tudo tão remoto, que eu nem tinha me dado conta que existia. Não há espinhas no rosto, mas há uma pressa, uma ansiedade como se a vida me soprasse ao ouvido que tudo termina amanhã.E não termina. Amanhã adolesço de novo, desço solenemente cada um dos degraus que me fizeram chegar mais alto, que me colocaram numa posição onde eu daria as cartas, eu escolheria as regras, eu começava o jogo. E decidiria também quando parar, no melhor estilo “o jogo é meu”.
Mas feito ordem, desci do salto, calcei rasteiras e percebo que com elas posso correr com mais facilidade. Mas não era preciso correr!
E nessa pressa infinda perco horas parada, esperando a próxima carta. Minha palidez revela que eu não tenho nenhum jogo armado e não sei até quando sobreviverei dos meus bons blefes. O relógio anda pra trás, mas já vejo o inevitável momento da batida.
Nesse revés de tempo, vou perdendo a esperteza de jogadora e me vestindo de fantasia adolescente, de ingenuidade infantil.
Sou minha maior adversária.
Imagem capturada do blog http://vanluchi.blogspot.com/
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tempos e tempos de muito calor. De tal forma escaldante, a ruborizar vez por outra a face.
Hoje a chuva caiu forte, um tanto tardiamente, quase imperceptível lá fora, como quem corre atrás do prejuízo.
Não percebera que eu cheguei primeiro, desenhei outra estação, explodi termômetros e ignorei o azul pesado que dava o tom ao céu.
Eu estava leve o suficiente para me colorir...
Imagem capturada do blog www.beautful_angel.blogger.com.br
sábado, 17 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Imagem original capturada no blog pitux.blog.simplesnet.pt
domingo, 11 de janeiro de 2009
E a noite se confundiu com uma luaDe tal forma prata,
De tal forma inteira
E que escolheu minha janela como moldura
Me causando hipnose,
Me sentenciando à insônia
Como quem pune a quem ousa disputar um brilho-real.
Ainda assim pareceu generosa
A iluminar-me o corpo por toda a noite
Por cada ângulo...
E a madrugada veio com a claridade
E com saudade
O céu se pôs a chorar...
(foto: Paulo Almeida - www.1000imagens.com)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Silêncio, por favor...
(imagem capturada do blog:http://passagedusilence.wordpress.com/)
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Andaram por ali falando em lugar bom pra morrer. Não acho que haja lugar bom pra morrer, simplesmente porque morrer não é bom. Nessa hora, nessa fatídica hora, dissolvem-se todas as minhas compreensões espirituais, porque eu ainda não aprendi a lidar com a morte e nem com um monte dessas coisas de adulto.Queria ficar aqui bem muito, até enjoar... E queria que ficassem comigo esse monte valioso de gente que vale tanto a pena.
Mas se enfim, eu tivesse que escolher, queria que fosse no ar, em pleno vôo, de asas abertas. Voar me faz feliz. De avião, de tirolesa, queda livre, pára-quedas, bungee jumping... Desfaço-me em sorrisos...
E teria forma melhor de ir (se a ida for inevitável, claro) que sorrindo?
Eu gosto mesmo é de voar... E por enquanto vou ficando com os meus vôos noturnos, bem altos, seguros...
Deixa-me sonhar...
(imagem capturada do blog anjoii.blogspot.com)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Uma só canção
O turno da noite
E esse estado líquido
Que há de lavar, o quanto for preciso
O que preciso for...
Não tenho horário marcado.
O tempo é rei, mas a rainha sou eu.
'Não, eu não sambo mais em vão'
Sem surpresa, posso também olhar para o espelho e constatar que as mudanças começaram há muito mais tempo e para elas não há mais agendas, nem gavetas. Está quase tudo submerso numa poeira que eu não ouso mexer...
Foram trezentas e tantas oportunidades e eu quero acreditar que eu fiz o melhor que pude. Ou pelo menos houve a intenção.
Valeu a pena.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008
Pulsus Cortantis Songs...
Uísque dosado, cigarro aceso e aperte o play... Ah! Apague a luz... Ninguém precisa ver...
1. No Doubt - Don't Speak
2. Chico Buarque - Trocando em Miúdos
3. Ana Carolina - Vai
4. Vanessa da Mata - Amado
5. Beto Guedes - Tristesse
6. Moska - Nunca foi Tarde / Versão Original: Jeff Bukley - Lover, You Should've Come Over
7. Nando Reis - Quem Vai Dizer Tchau?
8. Ney Matogrosso - Novamente
9. Amy Winehouse - Love is a Losing Game
10. Harry Nilsson - Without You (aqui, com a Mariah)
EM TEMPO: A última pá-de-cal
* Elis Regina - Atrás da Porta
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Ainda volto para descobrir todas as luzes, para entender porque tão longe de casa, senti parecer ter enfim, chegado.segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Música pro mundo girar...
João que amava Teresa, que amava Raimundo... Ops! Não é nada disso. Tiago que copiou do Gui, Moni que copiou do Ti... É porque música é mesmo fascinante e em nada me incomoda plagiar, remontar ou repaginar a idéia. Há coisas na vida que têm um efeito de carimbo de tinta inapagável. Músicas e pefumes são assim. Eles reconstróem imagens, são feito máquinas do tempo que te colocam exatamente naquele lugar do passado como se nada tivesse sido mudado, como se o tempo não tivesse seguido. E é gostoso voltar. É um exercício interessante, a memória agradece e o coração, no fundo, no fundo, também.
Daí a idéia da TOP LIST dos meninos que deu vontade de fazer por aqui também... Vou ver no que dá, sem me preocupar com a cronologia. Isso é outra vantagem. Ir e voltar no tempo, sem deixar de ser a mesma... Ou não.
PLUS! Linkei todas as músicas e quem quiser, pode clicar e vê-las/ouví-las no youtube.
1) Palavras ao Vento. Nem deveria, mas ela me faz bem. Consegue remontar a melhor emoção sentida, porque de tudo, fica algo bom.
2) Sua Estupidez. Essa tem gosto de vinho tinto, daqueles de garrafão de cinco litros, qualidade pra lá de duvidosa. Tem cor de madrugada, chão da sala, repet apertado, e o resto eu não sei. Mas no dia seguinte, ao acordar, o garrafão fiel e a Gal, incrivelmente ainda afinada, estavam lá, firmes e fortes...
3) Light my Fire. A imagem é escura, porque a gente apagava as luzes pra dançar loucamente. Vinhos e caipirinhas na cabeça que, quando sóbria, pensava na revolução...
4) Alta Noite. As cores são verde, anil, cor-de-rosa e carvão. Aqui poderia colocar o disco inteiro, até acabar e a Roberta trocá-lo com o dedo sujo do leite condensado indispensável nas caipirinhas...
5) Por Onde Andei. E mais uma vez apertei o repeat. Depois da meia-noite era ano novo, mas eu queria ignorar. Enquanto eu me mantivesse acordada e ouvindo isso, tudo era possível...
6) À Francesa. Tem gosto de pizza e eu tinha até um fã-clube!
7) Non Je Regrette Rien. Tem gosto salgado de saudade, de perda, de vida desperdiçada... e faltava tão pouco para acabar aquele ano...
8) Trem das Cores. Tantas cores. De amizade, de descoberta, de encanto, vai-e-vem de poemas, poemas de mesa de bar. Coisas de quem saltava do alto sem se preocupar por não ter pára-quedas...
9) Lindeza. Cor de sonho. Mas a gente acorda. Que bom, né? Tem mais vida depois...
10) Try It On My Own . Muitas luzes, fumaça, cigarro, bebida, noite, encantos. Os tuts começam a integrar o universo...
11) Monalisa. A cor é verde, o cheiro é de mato e o destino é subir.
12) No More Drama. Olhos fechados e sorriso ocupando a pista... Diversão sem horário pra chegar.
13) Olhos nos Olhos. Trilha de todas as vezes que deu vontade de ser gente grande.
14) Trocando em Miúdos. Música pra fazer as malas...
15) On my own. Frio na barriga da primeira dança de ouvido colado e meia-luz!!!
Por hora chega... Já viajei demais, preciso voltar... Mas foi bom...
(imagem capturada do blog Obvious)
domingo, 7 de dezembro de 2008
Saudade
Saudade da hora de deitar, quando as preces se limitavam aos pedidos de uma noite tranqüila, que não houvesse pesadelos, que não tivesse ladrões, nem medo do escuro. Mas o dia amanhecia rápido e o cheiro de café que tomava conta da casa atestava que tudo tinha corrido bem. A bênção, mãe. A bênção pai. Saudade de vocês. Do ser único que vocês eram pra mim.
Saudade das bobas preocupações, da semana de provas, dos meses de férias, do cheiro de livro novo. Saudade da campainha pra começar a aula, da campainha pra terminar. Saudade do mundo que eu conhecia tão pouco e tão bem, de tal maneira a dominá-lo como ninguém. Eu era mestra do tempo. Saudade de quando dava tempo pra tudo, até pra fazer nada.
Saudade de quando o amor era só aquilo que eu conhecia, um promotor de sorrisos espontâneos, de olhares perdidos no tempo, que causava frio no estômago, dor de barriga, rubor nas bochechas e medo de minha mãe descobrir. Saudade daquilo que eu ainda estava por descobrir.
Saudade de quando as dores conduziam no máximo ao choro e as lágrimas tinham um poder meio que adstringente, de limpar tudo e depois dos soluços não restava mais nada. Era só esperar o desinchar dos olhos. O máximo que as estripulias e os excessos causavam eram manchas roxas no corpo, jamais arrependimentos ou culpas. Saudade de não saber conjugar o verbo somatizar.
Mas o tempo foi passando e o mundo foi ficando grande demais. A vida foi impondo-me uma ruga na testa que foi se aprofundando à medida que todas as coisas, que antes eram meros acontecimentos, experiências, vida pura, passaram a ser obrigação. Foi ficando tudo sério demais. O que antes era descoberta tomou corpo, ganhou dentes e tentáculos, fazendo de mim um ser responsável por tudo o que me rodeava, ainda que estivesse bem longe de mim, que eu nunca viesse a tocar.
Preocupei-me com dívida externa, com privatização, com a ajuda operária à Bósnia, com a globalização, com a terceira via, com o imperialismo. Ou eu fazia alguma coisa ou... Ou o quê?
Ou nada. Passava também. E inacreditavelmente se transformaria em saudade. Saudade de quando eu achei que eu ajudaria a mudar radicalmente o mundo. Saudade de quando havia mais sonhos. Sonhos grandes, sonhos pequeninos. Apenas sonhos.
Saudade de quando havia tempo pra sonhar. Agora não, é tudo muito rápido e se eu perder muito tempo sonhando, lá se foi mais um bonde da história que eu, desatenta, não consegui pegar.
É tudo tão diferente. As preces são outras e muito poucas por mim. As preocupações são por demais subjetivas, além do meu alcance, dos meus poderes, do meu domínio e mesmo assim são exigidas de mim as respostas. Também não há o cheiro de café, a não ser que eu me disponha a fazê-lo, mas que com a velocidade dos ponteiros do relógio, saio de casa e nem percebo que ele tem um cheiro tão agradável que poderia aliviar a saudade.
Saudade de quando perder tempo não fazia falta, porque não dava pra ver o fim da estrada. Ainda não o vejo, é bem verdade, mas já sei que existe.
Saudade de quando fazer a coisa errada significava, no máximo, errar. Ninguém morreria por isso, ninguém sofreria e talvez nem percebesse. Os erros cabiam debaixo do tapete ou simplesmente escoavam, livres, para o profundo buraco do esquecimento.
Saudade de não passar o hoje inteiro lembrando que tem amanhã, pelo simples fato de que hoje tem mais importância, porque é agora, porque é o meu endereço, porque é o meu limite e principalmente porque ainda não acabou.
Saudade de ontem. E de quase tudo que o antecede.
Saudade, apenas.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008
...

terça-feira, 24 de junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
Inferno astral?

domingo, 25 de maio de 2008
É que há o hoje para reparar os estragos de ontem
É feito sopro de mãe no machucado
Feito abraço saudoso, apertado.
E tem ainda amanhã
Com cheiro de fruta doce, maçã,
E desse não escapa ninguém.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Foi uma longa viagem, um tempo dentro de mim mesma que embora não tendo procurado outras paisagens, outros caminhos, foi capaz de redescobrir as próprias experiências, alguns valores reais e o mais importante, projetar para os verdadeiros desejos.
Descobri. Senti. O corpo, a cabeça, o coração, falaram juntos, uníssonos e imperativos: Vá à luta. E fui. Sem armadura, sem escudo, mas com o corpo e a alma cobertos de vontade, abstrata, invisível, mas demonstrada, proferida a cada possibilidade.
Mudei trajetos, fiz e refiz planos, encurtei distâncias. Cerquei, criei uma redoma de cuidado, fiz um altar. Enfeitei com flores e canções. Intuí desejos, procurei mágicas capazes de arrancar sorrisos e me dei, sem embrulho nem laço de fita. Me dei nua, crua e inteira, irrestrita.
Mas a festa foi perdendo o sentido à medida que eu percebia que só eu gostava da música, que só a mim ela fazia dançar. Aos poucos, até as luzes apagaram. Fui colecionando flores murchas, declarações não recíprocas, silêncios, nãos, chamadas não atendidas, ausências e verdades que não precisam ser ditas.
Me dei conta de que eu estava só. Que quando pensei que havia acordado, era quando, de fato, eu tinha começado a sonhar. E já disseram que sonho que se sonha só, não passa disso. Entendi os porquês. Eu não podia esperar respostas de um outro lado que não existia. Eu não podia visualizar um futuro leve, quando o peso de um passado fala mais alto, sufoca, turva a visão de tal forma que a nada adiante se pode dar crédito.
Escolha minha. Desde sempre. Forte cobradora e dura pagadora. Mas que paga coisas caras.
Vou vivendo com o troco.
sábado, 17 de maio de 2008
Passíveis de desconfiança.
Questionáveis.
Assim são as criaturas que se despem dos orgulhos,
Que jogam fora todas as armas
Submetem-se aos testes,
Expõem o corpo para o deleite,
A alma para análise,
Os olhos para julgamento,
O coração para apreciação.
Dedicam-se e procuram quaisquer brechas,
Engolindo a seco cada lágrima,
Esforçando-se contra o tremor
Fazendo da paciência a algoz companheira.
Perigosos demais.
São estes os que com intencionalidade
Querem se fazer eternos.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Das Saudades
Mas eu precisava ir até lá, mesmo sabendo que não haveria o encontro, o abraço, o beijo, o sorriso, depois de percorrer o longo corredor molhado e cheio de lodo, com árvores tão antigas quanto algumas saudades esquecidas por lá. Cheguei ao endereço sabendo que não adiantaria chamar, bater, porque não haveria ninguém para receber. Era claro pra mim, desde o início que seria uma atitude meramente contemplativa, mas que me remetia à necessidade de alguma energia, algum detalhe, qualquer coisa que me aproximasse... Como se eu não vivesse tão próxima, a cada dia, a cada acordar, a cada adormecer...
Pouco tempo para tantos conflitos. Ali, confrontos entre fé, solidão, dúvidas, medo, lembranças, vida, tempo. Tudo apertado e ferozmente amarrado pelo nó da saudade.
Simulei flores, projetei felicidade, ainda que eu não tivesse qualquer resquício de força pra disfarçar a tristeza nem pra segurar as lágrimas.
Eu queria ali alguma resposta que eu jamais encontrarei ou então que de tanto saber, me recuso a admitir. Quando é o final? Por que acaba para alguns, se em mim, eles jamais se acabarão?
O céu estava cinza, no mesmo tom da última vez. Chovia um pouco. As mesmas lágrimas de chuva que eu percebo cair sempre que alguém se vai... Da última vez havia tanta gente... Hoje mais ninguém. Mas a minha necessidade preenchia aquele todo, tão cheio e imensamente vazio, porque as essências, eu deveria saber, não estão lá.
Há muito não me via tão tomada por saudades. Tantas saudades. E em meio a tantos gatos, as únicas criaturas vivas que povoavam aquele lugar, tive a certeza de que algumas delas são irremediáveis.
Angustia a dúvida sobre o que fazer com as saudades vivas, de distância irrisória e que mesmo assim, não consigo um lugar, mesmo que tão frio, onde eu possa chegar, bater e encontrar.
Percebi que é em vão querer me desfazer das minhas saudades. Algumas, buscar, enquanto houver forças, a forma de encontrar, mesmo que às vezes as portas não se abram. As outras, aquelas que é inútil a busca pelo encontro de fato, definitivamente não vou tirá-las de mim, por mais que doam. Pode ser que um dia a dor se transforme em lembrança, mais simples e mais leve, de forma que eu não precise de qualquer endereço para tê-las presentes em mim.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Profilaxia

sábado, 26 de abril de 2008
Velho Novo Caminho de Ida.
Minha viagem começou.
Tomei a direção,
Engatei a marcha mais forte
Tomei o maior fôlego
E tenho como próxima parada o horizonte.
Está ali bem perto,
Já posso vê-lo.
Tenho peso no pé,
Acelero fundo
E me abasteço com o vento que me passeia os cabelos.
Fotografo cenas
Paisagens
E coloco as molduras que sonho
Para pendurar logo ali adiante,
Nas paredes mais firmes
De onde nada jamais se perdeu.
Observe a minha velocidade
Perceba pra onde meu olhar aponta
Tenho pressa,
Mas não importa o tempo que vai levar.
Veja, olhe, estude o rumo e queira carona.
Não peça, só acompanhe.
Mas se quiser saltar antes,
Atente:
Eu não quero ter que parar
Nem está nos planos voltar.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
sábado, 19 de abril de 2008
O beijo e o seu endereço.
Li, tempos atrás um texto que falava sobre o tal “beijo no coração” e os sentimentos desencadeados pelo recebimento do próprio. Não lembro bem do desenrolar, mas lembro que tinha acordo em achar esquisito esse tal beijo.Há pouco ganhei um desses. Confesso que não gostei e falei isso ao doador do beijo. Não, não foi rejeição minha, tampouco mal-agradecimento. Na verdade acho que a minha necessidade de beijo não era no coração. Não dá pra sentir o calor dos lábios de quem beija no coração... Vai ver que meu desejo tinha um endereço mais visível e mais fisicamente viável e sensível.
Eu não consigo mandar beijo no coração de ninguém. No da minha mãe, talvez. Acho que o beijo no coração possui um carinho muito específico. Aquele carinho que possui um muro largo e resistente entre a boca que beija e o órgão que recebe. Nesse caso, o beijo me parece ficar na altura do peito, e do peito mesmo, não do seio. Quem dera... Será que é porque dizem que coração dos outros é terra que ninguém anda? Obviamente, se não se anda, muito menos se beija.
Estou certa de que no momento em que me deram “um beijo no coração”, essas palavras vieram acolchoadas de um carinho gigantesco. Mas no fundo, no fundo, ainda que meio inconsciente, a intenção é outra. É como mandar um “beijo no juízo” Já ouviu esse? Eu já. Pra mim não passa de um recado, do tipo “cuide-se, tome juízo!” O beijo no coração também tem seu recado implícito, ainda que pra mim, escancarado. Mandar esse tipo de beijo é pra reconfortar. Algo do tipo: um beijo no coração pra você que tem o seu tão inquieto, agoniado. Esse beijo no coração traz no bolso um elixir de paz, alento. Beijo no coração é quase um ansiolítico!
Só se for pra você. Beijo no coração me deixa nervosa, não me aquieta a alma , não me causa nenhum arrepio, nenhum suspiro, muito menos tira do casulo as borboletas que tanto querem bater asas no estômago...
Nunca vi carinho tão fisiologicamente comentado. Mas é isso mesmo. Quer me tocar o coração? Beije-me a boca, o olho, a orelha, as costas, a barriga, o pé. A distância, eu garanto, é muito menor, e o resultado, garantidamente eficaz.
domingo, 13 de abril de 2008

Céu meio encoberto, uma meia-lua meio que clareia a noite.
Parece estar tudo definitivamente pela metade e a única coisa por inteiro é a minha consciência. É de tamanha amplitude, de tão imensa claridade que nada se justifica por completo. Fica tudo no meio do caminho.
No rádio do carro, as canções não tocam até o fim. Até o refrão, tudo bem, mas dali em diante tudo parece e é repetitivo de tal forma que já não convence mais. Todos os poemas ficam inacabados. As primeiras palavras fluem, mas titubeiam nas vírgulas e findam no primeiro ponto de interrogação.
A razão perdeu-se a duas quadras do desejo.
Os planos adormeceram na metade do upload.
As vontades, ainda que fervam, ficam por aqui, pois não há certezas nem energia suficiente para se lançarem.
Talvez o estado adolescente de incompreensão seja mais propício ao teste, à loucura, ao risco. A lucidez dá a mão ao medo e se converte numa resistência tão sólida que não ousa sequer a ter a visão do precipício. Já não se cogita pular, nem pelo prazer do vôo.
Talvez eu tenha comprado gato por lebre e talvez eu tenha escolhido gato por saber lidar melhor com eles...
Mas de todas as consciências, a que mais perturba é essa certeza equidistante de que no meio, nada fica. As duas pontas do nó final estão em algum lugar esperando ser atadas. Basta que se retome o caminho e chegue até lá.
O problema é que no meu caso, esconderam o acelerador...
sábado, 5 de abril de 2008
...Equalizando...
Nenhuma palavra repousa quieta sobre o papel
Desde que essa porta fora aberta
Nada mais ficou no lugar.
Lutei pela chave,
Briguei para ver o lado de lá
E agora, feito pássaro em gaiola aberta
Coagido pelo medo do inseguro,
Seduzido pelo cheiro da liberdade
Temo o poder e a resistência das próprias asas e
Assisto sem ação
À desordem estabelecida
Como quem decora o lugar
Que não quer mais estar.
Mas é tudo resolvível:
Se as saudades têm endereço certo,
Mando carta pra cessar.
As lágrimas, findam a estação da aridez
E têm agora horas contadas pra estancar.
E restando o chão molhado
Há de brotar a novidade
Coração fértil florindo em rimas
As próximas páginas a escrever.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Quase não há espaço
Dentro da cabeça vazia
E no aperto do peito.
Faltou assunto,
Faltou recurso,
Sobrou solidão.
Não me cabe nenhum samba
Estão todos justos demais.
É a quarta-de-cinzas quem mais rima
Com a cor dos dias.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Nem só de "novo" se faz a vida...
Há o que é cíclico,
Reincidente,
Repetitivo
Dèja vu insistente...
Há o ontem de roupa nova
Tentando se disfarçar,
As lembranças que se escondem nos bolsos da mochila,
No fundo das gavetas
E permanecem bagagem,
Utilidade inútil, da qual não se dispõe.
Há sempre o mesmo erro que ainda se há de cometer,
Uma palavra no texto que se esqueceu de escrever,
Há sempre uma velha piada que ainda faz rir,
Surge sempre um velho cheiro,
Bem debaixo do nariz
O espelho-mágico,
Porta-dimensional chamada ábum de retratos.
Poemas,
Centenas de dilemas
Os mesmos a decidir...
E que venha o velho ano novo,
Com os seus mesmos trezentos e tantos dias
Pois que mude o seu guarda-roupa
E faça mais coloridos os dias...
...A quem passa por aqui, um 2008 delicioso... de novo!
sábado, 22 de dezembro de 2007
Sob/Sub Controle

É receber os atos de ataque
Com a certeza de que é tudo defesa
E que seus argumentos
São solenemente desarmados
Pelas minhas gargalhadas internas
Que colocam cada palavra no devido lugar.
Não precisa você querer
Para que eu possa entender tudo
Recolher cada farpa de olhar
Entender o ritmo das pernas que não param
Desvendar o significado das palavras não-ditas...
Sim! Eu virei bruxa
E de mim quase nada se esconde
A não ser o que de mim própria isolo
Pra efeito de segurança.
Assim,
Dito minhas teses,
Profiro teorias,
Crio minhas leis
Reinvento minhas condições.
Oriento minhas verdades...
Mantenho-me assim:
De óculos escuros.
Vez por outra o olhar me trai.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Preferências...

Serra, ao invés da praia,
sábado, 1 de dezembro de 2007
Tempo de Dançar

Houve um dia
Que era dia
De dançar
E eu dancei
Muito menos que eu podia
E era o dia
E eu não soube aproveitar.
(Prometi pra mim que não ia mais perder os motes que me vinham à mente e que eu sempre achava que ia lembrar depois e logicamente, os perdia. Lembrei dessa foto, que tava guardada em algum lugar e os versos se construíram, em meio a um engarrafamento. Sorte minha, pude rabiscá-los num papel. Fosse numa BR, teriam se perdido a 100 por hora...rsrs)
quarta-feira, 21 de novembro de 2007

domingo, 18 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
O que te pressiona?

Respostas exigidas, que você não sabe dar?
Escolhas impostas por uma multiplicidade que lhe turva o olhar?
Territórios delimitados, onde você não pode andar?
Segredos trancafiados, que você não pode saber?
Paisagens, casos, imagens, que você não pode ver?
Um outro padrão, a pessoa, que você não pode ser?
Sonhos, acasos, lugares, onde você não pode ir?
O medo da hora em que vai ter que decidir?
A possibilidade de não poder corrigir???
Pressiona...
Impressiona...
Aprisiona.
(imagem retirada do blog: arrozcomtodos.blogs.sapo.pt, para a qual não foram apresentados os créditos.)
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Novembro, final da placa 9 = licenciamento.
Pra que serve mesmo esse troço???
Ah, tudo bem. É pra que seu carrinho esteja licenciado para trafegar por aí.
Engraçado é que me dão a tal licença sem ver meu carro nem as condições em que ele está. Basta que eu pague trinta e tantos reais...
Mas o bonito é que vem agregado o seguro obrigatório (o que não te deixa obrigatoriamente seguro). Oitenta e tantos reais! Vieram pra mim com um papo que é uma grana que você recebe, caso atropele alguém... Se eu atropelar alguém, eu vou receber é trauma e prejuízos pro resto da vida!!!
Um seguro obrigatório e outro espontâneo? É essa a lógica?
E o tal licenciamento, que venceu ontem, não pôde ser pago hoje, porque em atraso, tenho que tirar uma nova guia... Vim pensando no caminho de volta no tamanho da confusão que eu faria caso fosse parada numa blitz, recém-saída do caixa, com uma conta que não me deixaram pagar...
Ê pátria amada e usurpadora...
Se ao menos eu visse licenciamentos, DPVATs, CPMFs, IPVAs, IPTUs, juros, multas, tudo isso devidamente aplicado, mas não. No primeiro semáforo depois do banco disputam o flanelinha, o deficiente, a mãe com um bebê no colo, o argentino pirofágico, a criança malabarista e até o velhinho vestido de papai noel...
Minha responsabilidade se finda num voto a cada dois anos?
Só eu penso assim?
Que grito mudo é esse que ninguém escuta???
Mas eu vou continuar falando. Até que não me suportem mais. E no jogo deles eu não entro. Lugar de corrupto é longe da minha honestidade e das cifras que eu desembolso. Não assinei nenhuma procuração delegando a terceiros o uso do meu dinheiro.
Sou a maior das fofoqueiras e não tentem me calar.
Elisa Lucinda, não menos indignada, deu um tom literário a essa "desordem":
Meu coração está aos pulos!Quantas vezes minha esperança será posta à prova?Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha"," Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nuncatinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todoo mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desdeo primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dá para mudar o final!
Só de sacanagem - Elisa Lucinda
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sábado, 10 de novembro de 2007
Na estrada

segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Balanço
Feito tudo o que tinha que ser...
Feito quase tudo o que desejava fazer...
Sem saldos, mas também sem prejuízos...
É o mal costume da acomodação, a injustificada resignação,
Um tal não correr atrás, um quê de tá bom assim.
Os tais atos silenciosos que atraem correntes ao pulsos,
Que elegem os monossílabos os reis do discurso,
Que fazem da conversa um quase-monólogo,
Que reduzem o volume do grito até calar.
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[Moni parece estar offline]
domingo, 4 de novembro de 2007
Quanto tempo?
Quem disse que eu devo satisfação a essa métrica imposta por um tal tic-tac repetitivo, enfadonho, cansativo e redundante?
Por que eu tenho que encaixar minhas reticências nos quadrinhos limitados de um calendário?
Quem lhes conferiu tal poder?
Determinam onde tudo começa e onde tudo deve parar... Mas não têm fim...
Como pode o tempo esgotar se meu desejo ainda não acabou?
Por que ainda resta tempo, quando a disposição já se foi???
E o despertador, filhote estridente, cheio de vontades, abusado ao ponto de interromper o sonho que eu esperava há séculos...
Por que eu tenho que esperar séculos?
Por que aguardar o segundo dia útil, quando o dinheiro acaba em pleno sábado, dia infinitamente mais útil?
Mais cinco minutos no microondas para matar uma fome que chegou há horas...
Com tantas vontades tortas, o caminho dos meus ponteiros jamais poderia ser circular: preciso de altos e baixos, idas e voltas, paradas rápidas, adormecimentos...
E a eternidade, mãe de todas as datas, ponteiros, calendários e ampulhetas? Essa me mete muito medo, porque essa sim, resolveu se impor. O tempo é dela. Acontece quando quer. E muitas coisas minhas parecem estar guardadas lá...
E eu tenho que esperar?
O bendito relógio não pode marcar data pra ela chegar? Uma satisfação, ao menos um prazo pra eu poder me programar?
Fico assim, escrava sem cor e esperneio, reclamo, insisto e até escrevo.
Mas é inútil: Data e horário marcado, o tempo bate à porta. E eu confesso: qualquer dia desses me recuso a abrir!
domingo, 28 de outubro de 2007
Bem-vind@s
A minha "Caixa" anterior não me cabia mais de tanto de mim que tinha lá dentro.
Resultado do excesso: caixa fechada, chaves jogadas distante dos olhos...
Resultado da falta: necessidade pulsante e eis-me aqui de novo, ainda que nem tudo seja tão novo.
Mas o dia é novo, e a palavra, sempre nova. Pulsa com o mesmo calor...
E que venham os motivos!
Palavras, caiam feito chuva! Textos, escorram feito rio...
Motivos... Estes nunca hão de faltar...
Comecemos de novo...












