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quarta-feira, 11 de novembro de 2009


E dou risada de um grande amor...mentira... (C.Buarque)


Mas era eu,
Que por não ser mais criança
Não podia ter caído nessa brincadeira
Nesse jogo de mau gosto
De te fantasiar de ser o oposto
Da mesmice corriqueira.
Hoje guardo de herança
A solitária idealização
Dos milhares de euteamos repetidos em vão,
No meu pé, o teu beijo
Dessa máscara de desejo,
Desejo de um só endereço,
Menor, bem menor que mereço
Muito menos que eu tinha pra dar.
Vai querer me negar?
Quer dizer que um dia chegou a me amar?
Que num estalar se transforma o amor em erro
E fazes dele o enterro
Sem sequer me convidar?
Faz um favor:
Recolhe cada uma das cenas de teatro mal-feito
Engole cada um dos versos baratos
Apaga aquelas letras escritas sem pudor.
Todos os atos
Registrados de um jeito
Que cicatrizaram embaixo do cobertor.
Não sei de onde veio essa autoridade
De usar da inverdade
Pra despertar a boba menina
Se fazendo de bom rapaz.
Não, não fala mais!
Nem canta no meu ouvido em nenhum idioma
Recompõe, ou melhor, desafina
Pra que eu não consiga traduzir
E possa, enfim, dividir
O que todo esse tempo foi soma.
Aproveita e me livra da cela
Eu não caibo em abertura de novela
E esquece Cazuza e Bebel
Pois não precisas dizer mais nada
Fica assim, onde estás
No lugar de onde nunca saiu
No teu posto, de onde nunca permitiu
A minha oferta de céu,
Minha porta escancarada.
Devolve o meu cheiro, viu?
E vê se leva o teu que esqueceste aqui
É que eu preciso dormir.
Esquece meu rosto,
Meus olhos,
Meus sinais.
Deixa-me livrar do teu gosto
Dos teus olhos,
E de tudo mais.
Enfrento cada meia-noite
Como se a última fosse
São madrugadas de açoite, de rio a correr
É claro que eu sei perder!
Mas é que o sabor doce
Esse, que vinha de um ser
– que hoje eu sei -
Não era você
Ainda faz lembrar feito canção
A tela que eu desejei
O amor que nela pintei
Desperdiçado, largado no chão
Em completo desprezo, desdém
Por alguém que eu criei,
Que nunca existiu, mais ninguém.
A propósito, a saber,
Desprazer em (re)conhecer.


Imagem capturada do blog marianareis.blogs.sapo.pt

24 comentários:

Mara faturi disse...

Dinda linda,

ah...as coisas do coração sempre vertendo poemas; Sempre penso: essa é a melhor parte;)
*eiii, me visita né??!! rsrs
saudades!!
bjos e jardim florido * ) * )

anjex disse...

Uma clarice, uma florbela, uma mulher que enxerga e que expressa, uma defesa que não quer ser só poema, uma leitura linda e doce que inspira e que liberta.

Eu repito: tu tem mesmo é que ser feliz. É o que combina. =+

Adolfo Payés disse...

Es un gusto pasar a leerte siempre..


Un beso

Un abrazo
Saludos fraternos..

NDORETTO disse...

Nossa que texto mais lindo,mulher, que bem escrito, que rítmo!

É tudo junto, bolerão delicioso
Essas rimas acontecidas, tropeçando pelo caminho do texto______Fantástico!!!Olha isso dá teatro! Amei,amei!!!!Bravos!

bjs,Neusa

Tiago Moralles disse...

Como (não) é bom nos rever.

Í.ta** disse...

que coisa mais linda isto!

amei, amei.

parabéns pelos versos,
pela intensidade deles.

pelo amor quando escancarado assim.

Felipe A. Carriço disse...

"Desejo de um só endereço"

Saudade, decepção amorosa, ira. Quanta coisa em um trecho.

Gostei do seu [con]texto. Obrigado pela visita. Voltarei aqui mais vezes.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

E assim são as dores de quem sentiu o avesso do amor...

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca


-

nina rizzi disse...

prazer também. prazer te ler/ descobrir. escrever, pra mim, é isso: descobrir-se.

um beijo.

Chris Ramalho disse...

O reconhecimento do que foi (e suas parcelas de frustaçao) em relaçao ao que poderia ter sido (com suas parcelas de idealizaçao) é um duro caminho, mas, com todas as dores, nos leva a nós mesmos, mais plenos, mais prontos para o que virá (e que há de ser bom!).
Obrigada pelo comentário em Sob o signo do ar!
Beijos

Paulo Rogério disse...

As inverdades são permitidas, e em termos, apenas na conquista. Jamais poderão sustentar uma história de amor ou um mínimo projeto de felicidade. Versos perfeitos! Beijos!

Marcelo Novaes disse...

Moni,



Ahhh..., Moni...


Que entranhada peça
essa que nos
pregamos.




O fabulador do assim
-pensado-corriqueiro
-amor-romântico deve
ter sido um
gênio.



Per-verso.






Beijos,






Marcelo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Moni,

vim aqui sugerir
que publicasse
a poesia-resposta
que me deixou
lá no doce de lira.

E que surpresa:
você, desde anteontem,
já falava do assunto
neste poema não menos
que MARAVILHOSO!!!

Crer no amor
e aguardá-lo
exige uma árdua
paciência...

Parabéns
por ambos os textos!
Seu "diálogo" comigo
me fez muito feliz!

Beijo, querida!

Cadinho RoCo disse...

Agora vamos ao encanto que qa vida tem pra nos ofertar.
Cadinho RoCo

Marcia Carneiro disse...

Voltarei aqui no meio dos temporais e calmarias. Somos o tempo mesmo...tua poesia é linda e a alma ensina a puxar as cordas de um amor de náufrago...

Silvana Nunes .'. disse...

Salve !
Muito obrigada por sua visita e por palavras tão carinhosas para com o meu trabalho. Volte mais vezes, FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... terá sempre uma história para contar.
Saudações florestais
http://www.silnunesprof.blogspot.com

J. Sollo disse...

Você é uma fiandeira de versos, digo isso porque nunca perdes a coerência mesmo quando muda o tema, é uma delícia ler-te. O Amor é mesmo uma caixa de Pandora, ninguém pode suspeitar o que pode vir daí, mas é sempre bom descobrir por si mesmo, pois de repente o que te enoja é bálsamo pra alguém, ou não? Abraço querida e Obrigado pela visita.

Jorge

Gordinha disse...

Puxa vida depois desse poema me sinto honrada em ter sua visita em meu humilde blog!

Daria uma bela carta de despedida, requerer que uma pessoa saia da sua vida é bem melhor, e da muito mais alívio do que você fazer com que ela saia!

Foi um prazer te ler, e passarei mais vezes por aqui, pode contar com isso!

Abraços!
=D

NDORETTO disse...

Reli essa coisa linda,bjs,neusa

Silvana Nunes .'. disse...

Salve !
Estou por aqui dando uma espiada.
Muito obrigada por sua visita e por palavras tão carinhosas para com o meu trabalho.Seus comentários sempre colorem o meu espaço e enchem o meu coração de alegria.
Volte mais vezes, FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... terá sempre uma história para contar.
Saudações florestais
http://www.silnunesprof.blogspot.com

Í.ta** disse...

oi moni.

a partir daquele teu comentário no meu blog de futebol, escrevi um texto sobre essa coisa que é torcer. e te citei. e citei teu comentário. e te linkei. rs...

confere lá quando puder.

beijo!

A Moni. disse...

Povo lindo e querido... Obrigada por cada comentário!

A gente combina mesmo é com a felicidade, embora nem sempre ela rime com os dias...

Mas a gente vai procurando...uma hora acha o verso mais bonito e do amor, se faz canção!

Beijos e cada um de vocês!

Anônimo disse...

Constatando os fatos.
Mantendo-me informada, acompanhando de todas as formas o desenrolar de tudo...
E, quando precisares, esteja certa que estarei por perto, para rir ou para chorar, beber ou comer, calar ou falar...
Torço sempre por vc, Dinda.
Beijos

Bebel disse...

Já disse e repito.
Adoro essa tua veia lucindiana que pulsa junto à veia saraivana.
É revigorante e inspirador te ler.
Divino!
Beijos, lindume