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quinta-feira, 3 de março de 2011

Receita


Ir ao encontro do medo
Ainda que de olhos vendados.
Buscar o calor do abraço,
Relaxar os punhos cerrados.
É que ainda é cedo
E tudo mal começou:
Subir no próximo vagão
Independente de quem o deixou.
É prestar atenção
Reduzir a tensão
Ou não.
Pois por ser começo
Está permitido o avesso.
É que a ousadia
Essa louca, assanhada, arredia
Pode estar escondida no noturno silêncio
Pode estar recolhida no vazio imenso
Da retirada,
Da incursão.
E pelo sim, pelo não,
Desacorrentados daquilo que é fase
Nada mais nos separa
Além de um inexpressivo quase.
* Poema publicado na Revista Cultural Novitas n°9
** Imagem capturada do blog: www.estaluanova.blogspot.com 
*** Enquanto isso, tem promoção no Bordel Bordado. Passa lá!

18 comentários:

LEDH disse...

Moniquita, minha linda amiga...

como gosto de suas palavras, da intensidade e leveza que elas dizem e trazem. São de uma alegria, de um monte de sentimentos!!!
Eita quer bateu um orgulho danado de caminhar ao seu lado!!
__/\__ namastê!

Dario B. disse...

Inexpressivo "quase", irmão do "se". "Se" eles não existissem...

Letícia Losekann Coelho disse...

E o quase é breve... Quaseé nada e tudo. É quase...
E o que é um quase para quem ama?
Adorei esse poema, guria! :D
Beijos

MAILSON FURTADO disse...

Feliz por conhcer mais uma cearense no mundo blogueiro...

Belo post!!!

Belo blog,gostei daqui... VOltarei mais vezes...

Convido vc a conhecer meu trabalho (poesia, musica, teatro)

Ficaria muito feliz!

http://mailsonfurtado.com

Carol Freitas disse...

É muito talento. Coisa que receita nenhuma explica.

Lindo!

E ainda bem que ela é minha parceira literária! Orgulho!

;)

sara kellyne. disse...

" Subir no próximo vagão, independente de quem o deixou. "

É, a vida tem mesmo que ser seguida assim, na marra, na luta, independente do que ficou para trás, porque todo dia é dia de recomeçar, de seguir, senão, me apropriando das palavras do saudoso Fernando Pessoa, ficaremos à margem de nós mesmos!

Mais um belíssimo texto dessa maravilhosa escritora.

Tô morrendo de saudade. Te amo!!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Não é fácil
ir ao encontro do medo,
mas não nos resta saída,
se quisermos viver a vida
em sua plenitude.

Que haja sempre em ti,
sonhos por sonhar.

Renata de Aragão Lopes disse...

"por ser começo
está permitido o avesso"

O ideal é que seja assim, Moninha:
toda receita merece
um ingrediente-surpresa! : )

Poema lindo, como sempre.

Um beijo,

RICARDO disse...

Moni

Seu talento não tem receita.Como já disseram acima seus escritos tem sempre um ingrediente surpresa que a diferencia dos "inexpressivos quases".

Bjo!

Edu disse...

Se é uma receita, por que uma receita tão livre? Tão nova onde se busca romper com padrões?

De repente eu me deparo com um nos separa, e eu percebo que é uma receita de gente, de vida, e o quase, que eu acho que diminui a cada dia pra todos. É só querer!

Sabe o que eu vou fazer? Vou "receitar" seu poema para um amigo! heheh

Bejo!

disse...

Não vou tecer comentários a respeito de uma postagem em específico... O seu blog, como um todo,é muito bom!
Passei rapidamente mas farei questão de voltar com todas as atenções do mundo.

Um abraço!

Talita Prates disse...

tem poemas que fazem "rezar".
esse, por exemplo.

o bjo, ídola-linda!

(L)

Tatá.

NDORETTO disse...

Gostei do Gran Finalle :

"Desacorrentados daquilo que é fase, nada mais nos separa além de um inexpressivo quase"___________

Você é ótima!!!

Beijo
Neusa

Paulo Rogério disse...

É meio que uma pegadinha, depois de tantos obstáculos superados... rsss...

Edu disse...

Moni!

Tem um meme lá no meu blog pra vc!

Bejo!

Tiago Moralles disse...

Saudades daqui.

Flá Perez (BláBlá) disse...

que finalização boa!
é isso mesmo...

bjbjbj

Marcio Nicolau disse...

aprovada a receita de inverter perspectivas.